Empreender pode significar liberdade, independência financeira, realização profissional e a oportunidade de construir algo próprio. Para muitas mulheres, porém, essa jornada vem acompanhada de desafios que vão muito além de vender um produto ou administrar uma empresa.
É preciso cuidar do negócio, conquistar clientes, organizar as finanças, aprender marketing, tomar decisões, liderar pessoas e pensar no futuro.
Ao mesmo tempo, muitas mulheres continuam concentrando responsabilidades relacionadas à casa, aos filhos e ao cuidado de outras pessoas.
Os números ajudam a mostrar o tamanho desse movimento. Segundo levantamento do Sebrae com base na PNAD Contínua, o Brasil passou de 8,2 milhões de mulheres donas de negócios em 2015 para 10,4 milhões em dezembro de 2025, um crescimento de 27% em dez anos.
O avanço é enorme.
Mas crescer em quantidade não significa que os obstáculos desapareceram.
A pesquisa Empreendedoras e Seus Negócios 2026, do Instituto Rede Mulher Empreendedora (IRME), ouviu 1.176 mulheres das cinco regiões do país e encontrou um cenário que mistura autonomia, confiança e desafios importantes: 81,1% das participantes consideram que as mulheres enfrentam mais dificuldades do que os homens no empreendedorismo.
Neste artigo, vamos conversar sobre os principais desafios do empreendedorismo feminino e, principalmente, sobre caminhos práticos para enfrentá-los. 💜
O empreendedorismo feminino continua crescendo no Brasil
Antes de falar dos problemas, existe algo importante para reconhecer: as mulheres estão ocupando cada vez mais espaço no empreendedorismo brasileiro.
Em dez anos, o número de mulheres donas de negócios aumentou de 8,2 milhões para 10,4 milhões. No mesmo período, o crescimento entre os homens foi de aproximadamente 11%, segundo o Sebrae.
Isso significa milhões de mulheres criando produtos, prestando serviços, contratando pessoas, movimentando suas cidades e gerando renda.
O empreendedorismo também pode representar uma possibilidade de autonomia.
Mas nem sempre ele começa com um grande plano de negócios.
A pesquisa do IRME de 2026 revelou que 54,7% das empreendedoras participantes começaram a empreender por necessidade. Além disso, 70% trabalhavam por conta própria, sem colaboradores.
Para algumas mulheres, portanto, empreender nasce de uma oportunidade.
Para outras, nasce de uma necessidade.
E muitas começam sem equipe, investimento alto ou estrutura.
Se você está justamente nesse momento inicial, vale ler também Empreendedorismo Feminino: Por Onde Começar?.
Agora vamos aos desafios.
1. A sobrecarga entre empresa, casa e família
Esse talvez seja um dos pontos mais importantes quando falamos de empreendedorismo feminino.
A empreendedora fecha o notebook.
Mas o trabalho nem sempre terminou.
Tem casa.
Filhos.
Compras.
Compromissos.
Consultas.
Organização familiar.
E uma enorme quantidade de pequenas tarefas que precisam ser lembradas.
A pesquisa do IRME mostra que 73,8% das empreendedoras entrevistadas são mães. Além disso, 75% disseram não contar com apoio informal para o cuidado, e 80,7% já precisaram interromper atividades da empresa para realizar tarefas relacionadas a esse cuidado. Para 61,7%, a sobrecarga interfere diretamente no desenvolvimento do negócio.
Uma publicação mais recente da própria RME reforça o problema: 84,8% das mulheres pesquisadas exercem trabalho de cuidado não remunerado.
Ou seja: não estamos falando apenas de uma sensação individual de “não conseguir se organizar”.
Existe uma questão estrutural de distribuição do tempo e do cuidado.
Como lidar melhor?
O primeiro passo é abandonar a expectativa de conseguir fazer absolutamente tudo sozinha.
Divida responsabilidades quando houver essa possibilidade.
Crie uma rede de apoio.
Delegue tarefas dentro da empresa.
Automatize processos repetitivos.
Defina prioridades.
E, principalmente, entenda que produtividade não significa ocupar cada minuto disponível.
No blog, temos um conteúdo específico sobre Rotina Produtiva para Mulheres Ocupadas: Como Dar Conta de Tudo sem se Sentir Sobrecarregada.
A meta não deveria ser “dar conta de tudo”.
Deveria ser decidir o que realmente precisa da sua atenção.
2. Dificuldade para separar vida pessoal e empresa
Quando você é dona do negócio, é muito fácil sentir que deveria estar trabalhando o tempo inteiro.
Domingo à noite?
Vou responder aquela mensagem rapidinho.
Durante o jantar?
Só vou olhar o WhatsApp.
Na cama?
Vou conferir o faturamento.
Férias?
Talvez eu leve o notebook. 😅
O problema é que a empresa pode ocupar todos os espaços disponíveis.
Isso acontece ainda mais quando o negócio funciona em casa.
Como superar?
Crie limites visíveis.
Tenha horário para começar e, sempre que possível, para terminar.
Separe notificações pessoais das profissionais.
Defina quais situações realmente são urgentes.
Crie processos para que outras pessoas consigam resolver problemas sem depender sempre de você.
Se trabalha de casa, recomendo também Como Tornar o Home Office Produtivo.
Uma empresa saudável não deveria depender da fundadora estar disponível 24 horas por dia.
3. Falta de tempo para pensar estrategicamente
Quando a empreendedora precisa fazer tudo, acontece algo perigoso:
ela passa o dia trabalhando dentro da empresa, mas quase nunca consegue trabalhar na empresa.
Responde clientes.
Emite notas.
Publica.
Embala pedidos.
Resolve problemas.
Faz pagamentos.
Conversa com fornecedores.
E quando chega o momento de analisar números, planejar crescimento ou estudar novas oportunidades… acabou o dia.
A pesquisa do IRME aponta que a sobrecarga de cuidado faz com que as mulheres dediquem, em média, seis horas semanais a menos ao próprio negócio do que os homens, dentro do contexto analisado.
Como melhorar?
Reserve um bloco semanal exclusivamente para gestão.
Pode ser duas horas.
Nesse período, não faça tarefas operacionais.
Analise:
- faturamento;
- custos;
- vendas;
- marketing;
- clientes;
- metas;
- problemas;
- oportunidades.
Sua agenda precisa ter espaço para você exercer o papel de empresária, não apenas de executora.
4. Dificuldade de delegar
“É mais rápido se eu mesma fizer.”
Essa frase acompanha muitas empreendedoras.
E, no começo, talvez realmente seja.
Mas existe um limite.
Se tudo precisa passar por você, seu crescimento fica limitado à quantidade de horas que você possui.
Delegar não significa perder controle.
Significa construir processos.
Comece documentando tarefas repetitivas.
Grave vídeos.
Crie checklists.
Defina responsáveis.
Estabeleça indicadores.
Acompanhe resultados.
No início você ainda precisará revisar bastante.
Depois, a tendência é ganhar espaço para tarefas mais estratégicas.
5. Acesso a dinheiro e capital para crescer
Dinheiro continua sendo um desafio importante.
O próprio panorama oficial do governo sobre empreendedorismo feminino reconhece obstáculos relacionados ao acesso ao crédito, além da necessidade de capacitação, formalização, redes de apoio e melhores condições para conciliar vida profissional e pessoal.
Na pesquisa do IRME, o acesso ao crédito entre as participantes apresentou melhora: passou de 25% em 2023 para 47,8% em 2026. Ainda assim, os dados financeiros mostram fragilidade: 46,6% dos negócios pesquisados faturavam até R$ 3.242 por mês e apenas 10% conseguiam gerar sobra para poupar ou reinvestir depois das despesas básicas.
O que fazer?
Antes de buscar crédito, organize seus números.
Saiba:
- quanto a empresa fatura;
- quanto gasta;
- qual é a margem;
- quanto precisa de capital;
- para quê;
- em quanto tempo espera retorno.
Crédito pode ajudar a crescer.
Mas crédito sem planejamento também pode transformar um problema pequeno em uma dívida grande.
6. Misturar dinheiro pessoal e dinheiro da empresa
Esse problema não é exclusivamente feminino, mas aparece muito entre pequenos negócios.
Entrou R$ 5 mil?
Parece que você ganhou R$ 5 mil.
Só que ainda existem:
fornecedores;
- impostos;
- marketing;
- plataformas;
- frete;
- folha;
- taxas;
- estoque;
- custos operacionais.
Faturamento não é lucro.
Tenha contas separadas sempre que possível, controle entradas e saídas e defina uma retirada.
Você precisa saber se a empresa realmente está dando dinheiro.
7. Precificar sem segurança
Outra dificuldade comum é colocar preço.
“Será que está caro?”
“Minha concorrente cobra menos.”
“E se ninguém comprar?”
E assim a empreendedora reduz o preço até praticamente eliminar sua margem.
Preço não deveria ser definido apenas olhando concorrentes.
Você precisa considerar custos, impostos, despesas, taxas, tempo, margem e posicionamento.
Vender muito com preço errado pode significar trabalhar cada vez mais e continuar sem dinheiro.
8. Marketing e divulgação
Ter um bom produto não significa que as pessoas vão descobri-lo sozinhas.
Esse é um dos desafios mais concretos encontrados na pesquisa de 2026 do IRME: marketing e divulgação aparecem como principal obstáculo operacional para 51,9% das participantes. Ao mesmo tempo, 72,2% já utilizam a internet para promover produtos ou serviços.
Isso mostra algo interessante: as empreendedoras estão no digital, mas estar presente não significa necessariamente possuir uma estratégia.
Por onde começar?
Defina claramente:
- quem você quer atingir;
- qual problema resolve;
- por que deveriam escolher sua empresa;
- em quais canais seu público está;
- qual conteúdo ajuda na decisão;
- como transformar atenção em venda.
Para aprofundar esse tema, veja Primeiros Passos no Marketing Digital: Estratégias que Funcionam.
9. A pressão para aparecer nas redes sociais
Hoje parece que toda empresária precisa também ser:
- CEO;
- vendedora;
- social media;
- influenciadora;
- roteirista;
- editora;
- apresentadora de Reels. 😂
Não necessariamente.
A pesquisa do IRME mostra que, apesar do uso amplo da internet para divulgação, muitas empreendedoras não se identificam como criadoras de conteúdo e relatam preocupações com exposição e riscos no ambiente digital.
Você pode criar uma estratégia compatível com sua personalidade.
Pode aparecer em vídeos.
Ou focar em produto.
Criar artigos.
Investir em SEO.
Trabalhar com influenciadores.
Usar anúncios.
Criar conteúdo sem mostrar o rosto.
O importante é não acreditar que existe apenas uma maneira correta de fazer marketing.
10. Conseguir os primeiros clientes
Existe um momento especialmente difícil: você criou tudo… e ninguém comprou ainda.
É aqui que muitas pessoas desistem.
No começo, concentre energia em validar.
Converse com possíveis clientes.
Apresente sua oferta.
Peça feedback.
Faça prospecção.
Use sua rede de contatos.
Publique.
Teste.
Melhore.
A primeira venda não precisa vir de uma estratégia perfeita.
Ela precisa mostrar que existe alguém disposto a pagar pelo que você oferece.
Temos um passo a passo completo em Como Começar no Digital do Zero e Fazer Sua Primeira Venda.
11. Construir uma rede de contatos
Empreender pode ser solitário.
Principalmente quando você não possui sócios ou equipe.
Por isso, networking importa.
Conhecer outras empreendedoras e empresários pode abrir portas para:
- parcerias;
- indicações;
- fornecedores;
- clientes;
- mentorias;
- troca de experiências;
- oportunidades.
A própria RME aponta redes de apoio, comunidades, mentorias e conexões entre mulheres como ferramentas para enfrentar isolamento e fortalecer negócios.
Networking não é chegar a um evento tentando vender para todo mundo.
É construir relacionamento.
12. Formalização e burocracia
Quando o negócio começa pequeno, existe a tentação de deixar toda a parte burocrática para depois.
Mas conforme cresce, organização passa a ser indispensável.
A pesquisa do IRME encontrou 31,9% de informalidade entre as participantes, sendo os custos envolvidos apontados como uma das principais razões.
Dependendo do negócio, formalizar pode facilitar emissão de notas, contratação, acesso a determinados serviços financeiros e relações com outras empresas.
Procure orientação contábil adequada ao seu caso antes de tomar decisões tributárias ou jurídicas.
13. Sentir que precisa saber tudo
Marketing.
Finanças.
RH.
Vendas.
Tecnologia.
Contabilidade.
Gestão.
Jurídico.
Design.
Nenhuma empreendedora domina tudo.
E não precisa.
O papel da empresária não é ser a melhor especialista de cada departamento.
É aprender o suficiente para tomar boas decisões e saber quando precisa de ajuda especializada.
Cursos, consultorias, mentorias, comunidades e profissionais especializados podem encurtar caminhos.
14. Comparação com outras empreendedoras
Você abre o Instagram.
Uma empresária está comemorando R$ 1 milhão.
Outra abriu a terceira unidade.
Outra está viajando enquanto a empresa funciona sozinha.
Você olha para seu dia e está tentando descobrir por que o boleto foi pago duas vezes. 😅
Redes sociais mostram recortes.
Você raramente conhece:
- as dívidas;
- os anos anteriores;
- os investidores;
- a equipe;
- os erros;
- os privilégios;
- os problemas;
- os bastidores.
Compare sua empresa principalmente com ela mesma no passado.
Seu faturamento melhorou?
Sua margem?
Seus processos?
Seu atendimento?
Seu conhecimento?
Essa comparação costuma ser muito mais útil.
15. Culpa por não conseguir estar em todos os lugares
Quando trabalha, sente que deveria estar com a família.
Quando está com a família, pensa no trabalho.
Quando descansa, lembra da lista de tarefas.
Esse ciclo pode transformar até momentos bons em cobrança.
Não existe uma fórmula universal para conciliar todas as áreas da vida.
O que existe é planejamento, divisão de responsabilidades, escolhas e períodos em que uma área exigirá mais atenção que outra.
Eu também recomendo a leitura de Um Dia Real na Rotina de uma Mãe, Esposa e CEO, porque nem toda rotina precisa parecer perfeita para funcionar.
Os desafios aparecem nos números
A pesquisa Empreendedoras e Seus Negócios 2026 permite visualizar alguns obstáculos relatados pelas participantes:

Esses números ajudam a mostrar que dificuldades como falta de tempo, cuidado e divulgação não são experiências isoladas.
Empreendedorismo feminino não precisa significar fazer tudo sozinha
Talvez esse seja um dos aprendizados mais importantes.
Existe uma imagem romantizada da empreendedora que:
- acorda às 5h;
- treina;
- cuida dos filhos;
- faz café;
- responde clientes;
- lidera equipe;
- grava conteúdo;
- vende;
- estuda;
- organiza a casa;
- faz skincare;
- lê 30 páginas;
- dorme oito horas;
- e ainda termina o dia agradecendo pela produtividade.
Na vida real?
Tem dia que funciona.
Tem dia que a criança fica doente.
Tem cliente urgente.
Tem problema financeiro.
Tem cansaço.
Tem imprevisto.
E isso não significa falta de capacidade.
Significa que administrar um negócio acontece dentro de uma vida real.
Como superar os desafios do empreendedorismo feminino na prática?
Não existe uma única solução porque mulheres vivem realidades diferentes.
Ainda assim, alguns movimentos ajudam:
- organize as finanças, para tomar decisões baseadas em números;
- construa uma rede de apoio, profissional e pessoal;
- aprenda a delegar, conforme o negócio permitir;
- invista em capacitação, principalmente nas áreas que limitam o crescimento;
- faça networking, porque oportunidades também surgem de relacionamentos;
- crie processos, para a empresa depender menos da sua memória;
- reserve tempo estratégico, mesmo que sejam poucas horas semanais;
- aprenda marketing e vendas, porque um negócio precisa chegar às pessoas;
- cuide da sua energia, porque trabalhar sem parar não é uma estratégia de crescimento.
E, principalmente, não espere ter tudo resolvido para avançar.
Existe muito espaço para mulheres que querem empreender
Os obstáculos são reais.
Mas o crescimento também é.
O número de mulheres donas de negócios no Brasil chegou ao maior nível da série histórica analisada pelo Sebrae em dezembro de 2025.
Na pesquisa do IRME de 2026, 70,1% das participantes se declararam confiantes em relação ao futuro e 66,7% otimistas.
Esse dado é interessante porque mostra duas coisas coexistindo.
Existem dificuldades.
E existe perspectiva.
Uma não precisa apagar a outra.
Conclusão: você não precisa superar tudo de uma vez
Empreendedorismo feminino não deveria ser contado apenas como uma história de “mulheres guerreiras que conseguem fazer tudo”.
Talvez precisemos justamente abandonar essa expectativa.
Mulheres empreendem.
Criam empresas.
Geram renda.
Lideram equipes.
Sustentam famílias.
Inovam.
Vendendo produtos em casa ou comandando empresas maiores, fazem parte de um movimento econômico que continua crescendo no Brasil.
Mas também enfrentam desafios relacionados a tempo, cuidado, dinheiro, marketing, formalização, acesso a oportunidades e construção de redes.
Reconhecer essas barreiras não diminui as conquistas.
Ajuda a entender o que precisa mudar e onde podemos agir.
Se você está começando, não tente resolver todos os 15 pontos deste artigo amanhã.
Escolha um.
Talvez seja separar suas finanças.
Talvez criar uma rotina.
Talvez participar de um evento.
Talvez delegar uma tarefa.
Talvez finalmente começar a divulgar seu trabalho.
Talvez pedir ajuda.
O crescimento de uma empresa raramente acontece por uma grande decisão isolada.
Na maioria das vezes, ele acontece por meio de pequenas decisões melhores tomadas repetidamente.
E se você ainda está pensando se deveria começar, veja também Como Ganhar Dinheiro na Internet em 2026: 15 Formas Reais para Começar.
Você não precisa ter todas as respostas para dar o próximo passo.
Precisa descobrir qual é o próximo passo possível para você agora. 💜🚀
Qual desses desafios mais faz parte da sua realidade hoje? Em vez de tentar mudar tudo de uma vez, escolha um ponto, defina uma pequena ação e comece por ele. Empreender também é aprender a construir um passo de cada vez. 💜
