Dia de CEO – Thaís Cristina
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Estratégia EmpresarialGestão e Bastidores de CEO

Nem Todo Dia Precisa Render: Como Respeitar seu Ritmo

por Thais Cristina 29/07/2026
escrito por Thais Cristina
O que Fazer Quando Você Não Consegue Ser Produtiva

Existem dias em que você acorda disposta, termina várias tarefas, resolve problemas, participa de reuniões e ainda encontra energia para cuidar da vida pessoal.

Mas também existem aqueles dias em que tudo parece mais difícil.

Você abre o computador, olha para a lista de tarefas e não sabe por onde começar. Tenta responder uma mensagem, perde a concentração, começa outra atividade e, quando percebe, algumas horas já passaram.

Nesse momento, a culpa costuma aparecer.

Você pode pensar que está desperdiçando tempo, sendo preguiçosa ou ficando para trás enquanto outras pessoas parecem produzir o tempo inteiro.

No entanto, um dia improdutivo não significa falta de responsabilidade, incompetência ou ausência de disciplina.

Pode ser apenas o resultado de uma noite mal dormida, de uma semana intensa, de excesso de preocupações, de problemas familiares, de cansaço físico ou de uma agenda que ultrapassou seus limites.

Nenhuma pessoa consegue manter exatamente o mesmo nível de energia, concentração e criatividade todos os dias.

Por isso, aprender como lidar com dias improdutivos sem se culpar é importante para construir uma relação mais saudável com o trabalho, com as metas e com você mesma.

Neste artigo, você vai entender por que esses dias acontecem, como reconhecer os sinais de sobrecarga e o que fazer para recuperar o ritmo sem transformar a produtividade em uma fonte permanente de pressão.

O que é um dia improdutivo?

Um dia improdutivo pode ser definido como um período em que você não consegue realizar aquilo que havia planejado.

Talvez uma tarefa que levaria uma hora tenha ocupado toda a manhã. Pode ser que você tenha sido interrompida várias vezes ou simplesmente não tenha conseguido manter a concentração.

Em alguns casos, a pessoa até realizou diversas atividades, mas termina o dia com a sensação de que não fez nada.

Isso acontece porque muitas tarefas importantes são pouco visíveis.

Responder clientes, resolver problemas da equipe, organizar a casa, cuidar dos filhos, administrar compromissos e tomar pequenas decisões também consomem energia.

Porém, como essas atividades nem sempre aparecem em um relatório ou em uma lista de entregas, podemos desconsiderá-las.

Antes de dizer que o dia foi perdido, pergunte:

  • O que eu realmente fiz hoje?
  • Quais problemas precisei resolver?
  • Houve algum imprevisto?
  • Eu estava cansada ou preocupada?
  • Minha lista era possível para o tempo disponível?

Muitas vezes, o problema não foi falta de produtividade. O problema foi uma expectativa maior do que a realidade permitia.

Ninguém consegue ser produtivo o tempo inteiro

A ideia de que uma pessoa disciplinada consegue produzir em alta intensidade todos os dias é pouco realista.

O corpo e a mente precisam de momentos de esforço e recuperação.

Até mesmo atletas profissionais alternam treinos intensos, atividades leves e períodos de descanso. O mesmo raciocínio pode ser aplicado ao trabalho intelectual, à criatividade e à tomada de decisões.

O descanso não é um prêmio que você recebe depois de terminar tudo.

Ele é uma necessidade básica para continuar funcionando.

Orientações sobre saúde e bem-estar no trabalho destacam que limites claros entre o horário profissional e o período de descanso podem reduzir a ansiedade e favorecer a saúde, a criatividade e a produtividade.

Quando a pessoa tenta manter um ritmo elevado por muito tempo, o desempenho pode começar a cair. As tarefas demoram mais, os erros aumentam, a paciência diminui e decisões simples se tornam cansativas.

Portanto, um dia mais lento pode ser um sinal de que a mente está tentando recuperar a energia utilizada nos dias anteriores.

Por que a culpa aparece?

A culpa costuma surgir porque relacionamos nosso valor pessoal ao que conseguimos produzir.

Quando o dia rende, sentimos que fomos competentes. Quando não conseguimos cumprir o planejamento, podemos interpretar isso como uma falha pessoal.

As redes sociais também contribuem para essa sensação.

Vemos pessoas mostrando rotinas matinais, treinos, viagens, empresas, estudos, filhos e projetos. Como geralmente aparecem apenas os melhores momentos, criamos a impressão de que todos estão avançando enquanto nós estamos paradas.

Mas uma publicação não mostra:

  • a equipe que ajuda aquela pessoa;
  • as atividades que foram adiadas;
  • os dias de cansaço;
  • os problemas familiares;
  • as inseguranças;
  • os erros;
  • as pausas;
  • os privilégios e recursos disponíveis.

Comparar sua rotina completa com um pequeno recorte da vida de outra pessoa é injusto.

No artigo Rotina produtiva para mulheres ocupadas, falamos sobre a importância de criar um planejamento que caiba na vida real, em vez de tentar copiar uma rotina perfeita vista na internet.

Produtividade não é quantidade de tarefas

Uma pessoa pode concluir 15 atividades pequenas e não avançar em sua prioridade principal.

Outra pode finalizar apenas uma tarefa, mas essa entrega pode resolver um grande problema, gerar uma venda ou permitir que um projeto continue.

Por isso, produtividade não deve ser medida apenas pelo número de itens marcados como concluídos.

Pergunte:

  • Qual era a tarefa mais importante?
  • O que realmente precisava avançar?
  • O que trouxe resultado?
  • O que poderia ter esperado?
  • Quais atividades apenas ocuparam tempo?

Estar ocupada e ser produtiva são coisas diferentes.

É possível passar o dia respondendo notificações e apagando pequenos incêndios sem dedicar atenção ao trabalho mais importante.

Também é possível ter um dia mais calmo e ainda tomar uma decisão estratégica que beneficie todo o mês.

Quando a improdutividade pode ser sinal de sobrecarga?

Um dia isolado com menor rendimento é normal.

No entanto, quando o cansaço, a dificuldade de concentração e a falta de motivação se tornam frequentes, pode existir uma sobrecarga maior.

O Ministério da Saúde define a síndrome de burnout como um distúrbio emocional relacionado ao esgotamento profissional, marcado por exaustão extrema, estresse e desgaste físico decorrentes de situações de trabalho excessivamente desgastantes.

Entre os sinais que merecem atenção estão:

  • cansaço constante;
  • dificuldade para dormir;
  • irritação frequente;
  • perda de interesse pelo trabalho;
  • sensação de incapacidade;
  • problemas de memória;
  • dificuldade de concentração;
  • dores frequentes;
  • vontade de se afastar de todos;
  • ansiedade antes de começar o expediente.

Isso não significa que toda falta de produtividade seja burnout.

O diagnóstico precisa ser realizado por um profissional qualificado. Quando os sintomas persistem e interferem na vida profissional ou pessoal, é importante buscar apoio psicológico ou médico.

A questão principal é não tratar todos os sinais de cansaço como preguiça.

1. Aceite que o dia não saiu como planejado

A primeira atitude é parar de lutar contra o fato de que aquele não está sendo seu melhor dia.

Isso não significa desistir de tudo.

Significa reconhecer a realidade para decidir o que ainda é possível fazer.

Quando você passa horas repetindo pensamentos como “eu deveria estar produzindo mais”, parte da energia que poderia ser utilizada na recuperação é consumida pela culpa.

Troque a cobrança por uma avaliação mais prática:

“Hoje minha energia está baixa. O que é realmente necessário concluir?”

Essa mudança reduz o peso emocional e ajuda você a escolher uma ação possível.

2. Revise sua lista de tarefas

Em um dia difícil, uma lista longa pode aumentar a sensação de fracasso.

Revise as atividades e divida-as em três grupos:

Precisa ser feito hoje

São tarefas com prazos reais ou consequências importantes.

Seria bom concluir

São atividades relevantes, mas que podem ser transferidas sem causar problemas.

Pode esperar

São tarefas que não precisam ocupar sua energia naquele momento.

Depois dessa divisão, escolha uma prioridade principal.

Talvez você não conclua dez tarefas, mas consiga finalizar a que realmente precisava ser entregue.

3. Use a regra da tarefa mínima

Quando começar parece impossível, reduza o tamanho da atividade.

Em vez de pensar “preciso terminar toda a apresentação”, estabeleça:

“Vou organizar apenas os primeiros três slides.”

Em vez de “preciso escrever o artigo completo”, comece com:

“Vou criar o título e os subtítulos.”

Outros exemplos de tarefas mínimas:

  • responder um e-mail;
  • organizar cinco documentos;
  • trabalhar por 15 minutos;
  • revisar uma página;
  • fazer uma ligação;
  • separar as informações necessárias;
  • abrir a planilha e atualizar uma linha.

Começar uma atividade pequena pode ajudar a mente a sair da paralisia.

Mesmo quando você não consegue continuar, uma pequena etapa já foi concluída.

4. Tire as tarefas da cabeça

Uma mente cansada não precisa carregar todos os compromissos ao mesmo tempo.

Anote o que está preocupando você.

Pode ser em uma agenda, em um aplicativo, em uma folha de papel ou no bloco de notas do celular.

Não tente organizar tudo imediatamente. Primeiro, apenas registre.

Depois de anotar, escolha apenas o próximo passo.

Você não precisa resolver a semana inteira naquele momento.

5. Faça uma pausa de verdade

Muitas pessoas fazem uma pausa no trabalho, mas continuam consumindo informações.

Elas saem da planilha e entram no Instagram. Fecham o e-mail e começam a responder mensagens. Param uma reunião e assistem a vídeos curtos.

Isso muda a atividade, mas não necessariamente descansa a mente.

Uma pausa verdadeira pode incluir:

  • ficar alguns minutos longe da tela;
  • beber água;
  • tomar banho;
  • caminhar;
  • respirar lentamente;
  • alongar o corpo;
  • fazer uma refeição;
  • sentar em silêncio;
  • ouvir uma música.

A pausa não precisa durar horas.

Dez ou quinze minutos de descanso intencional podem ajudar mais do que permanecer diante do computador sem conseguir produzir.

6. Verifique suas necessidades básicas

Antes de procurar uma nova técnica de produtividade, observe o básico.

Você dormiu o suficiente?

Fez uma refeição adequada?

Está há muitas horas sem beber água?

Passou o dia inteiro sentada?

Está sentindo alguma dor?

Viveu uma situação emocionalmente difícil?

Nem sempre o problema é falta de organização. Às vezes, o corpo está apenas pedindo cuidado.

Não existe aplicativo capaz de substituir sono, alimentação, movimento e descanso.

7. Diminua as distrações

Em dias de pouca concentração, cada notificação pode afastar ainda mais você da atividade principal.

Para reduzir esse problema:

  • coloque o celular no modo silencioso;
  • feche abas desnecessárias;
  • desligue notificações;
  • avise que estará indisponível por alguns minutos;
  • deixe apenas a tarefa atual aberta;
  • determine um horário para verificar mensagens.

Comece com um bloco curto, de 20 ou 25 minutos.

Durante esse período, faça apenas uma atividade.

Depois, avalie se possui energia para continuar.

8. Não tente compensar trabalhando até tarde

Quando o dia rende pouco, pode surgir a vontade de trabalhar durante a noite para compensar.

Em algumas situações, isso pode ser necessário. Porém, transformar essa prática em rotina tende a criar um ciclo perigoso.

Você trabalha até tarde, dorme menos, acorda cansada e tem mais um dia de baixa produtividade.

Em seguida, trabalha até tarde novamente para recuperar o atraso.

Nem todo dia precisa ser compensado.

Algumas tarefas podem ser reorganizadas, renegociadas ou adiadas.

Descansar pode ser a decisão que permitirá produzir melhor no dia seguinte.

9. Converse com alguém

A improdutividade pode estar ligada a preocupações que você está tentando administrar sozinha.

Conversar com alguém de confiança pode ajudar a organizar os pensamentos.

No ambiente profissional, talvez seja necessário avisar a equipe, negociar um prazo ou pedir ajuda.

Em casa, pode ser importante dividir responsabilidades.

Pedir ajuda não significa falta de capacidade.

Significa reconhecer que tempo, energia e atenção são recursos limitados.

10. Pratique a autocompaixão

Autocompaixão é tratar a si mesma com a mesma compreensão que você ofereceria a alguém querido.

Imagine que uma amiga dissesse:

“Estou cansada, não consegui cumprir minha lista e me sinto péssima.”

Você provavelmente não responderia:

“Você é preguiçosa e nunca vai conseguir.”

Você diria que ela teve uma semana difícil, que precisa descansar e que poderá recomeçar.

Por que a conversa interna costuma ser muito mais agressiva?

Troque frases como:

“Eu não fiz nada.”

Por:

“Hoje não consegui cumprir tudo, mas posso reorganizar.”

Troque:

“Estou atrasada em relação a todo mundo.”

Por:

“Estou seguindo dentro das condições que tenho neste momento.”

Autocompaixão não elimina a responsabilidade. Ela permite assumir responsabilidade sem se destruir emocionalmente.

Como salvar um dia que parece perdido

Você não precisa transformar um dia ruim em um dia perfeito.

Tente apenas encerrá-lo melhor do que ele começou.

Utilize este pequeno plano:

Passo 1: pare por alguns minutos

Saia da tela, respire e reconheça como você está se sentindo.

Passo 2: escolha uma prioridade

Defina a única tarefa que realmente precisa avançar.

Passo 3: trabalhe por 20 minutos

Concentre-se apenas nessa atividade.

Passo 4: registre o que ficará para depois

Não mantenha todas as pendências na memória.

Passo 5: prepare o próximo dia

Organize os materiais, escolha as prioridades e defina o horário de início.

Passo 6: encerre o expediente

Evite continuar trabalhando apenas por culpa.

Mesmo que você não tenha concluído tudo, criou condições melhores para recomeçar.

Como evitar que dias improdutivos se tornem frequentes

Nem todos os dias difíceis podem ser evitados. Ainda assim, alguns hábitos ajudam a diminuir a frequência da sobrecarga.

Planeje menos tarefas

Deixe espaços para problemas, conversas e imprevistos.

Defina três prioridades

Escolha as atividades que realmente precisam avançar.

Durma e descanse

Não trate o sono como tempo desperdiçado.

Faça revisões semanais

Observe o que está atrasado antes que se transforme em uma urgência.

Organize as finanças

Preocupações financeiras podem ocupar grande parte da atenção. O artigo Como organizar sua vida financeira em 2026 apresenta um método simples para acompanhar gastos, dívidas e objetivos.

Estabeleça limites

Nem toda mensagem precisa ser respondida imediatamente.

Reveja suas metas

Um planejamento impossível gera uma sensação permanente de atraso.

Quando o problema está na empresa, e não em você

Às vezes, a pessoa tenta melhorar sua produtividade dentro de um ambiente desorganizado.

Reuniões demais, responsabilidades pouco claras, mensagens fora do horário, urgências constantes e mudanças frequentes de prioridade prejudicam qualquer planejamento.

Nesse caso, nenhuma técnica individual resolverá completamente o problema.

É necessário revisar processos, responsabilidades e formas de comunicação.

Líderes também precisam observar se estão criando uma cultura em que descansar parece falta de comprometimento.

Equipes saudáveis precisam de:

  • prioridades claras;
  • prazos possíveis;
  • autonomia;
  • pausas;
  • comunicação organizada;
  • respeito ao horário;
  • segurança para pedir ajuda.

Trabalhar sob pressão durante um período específico pode acontecer. Viver constantemente em estado de urgência não deveria ser considerado normal.

Um dia improdutivo não define sua semana

Talvez você tenha perdido uma manhã.

Talvez o dia inteiro não tenha acontecido como planejava.

Isso não significa que a semana está perdida.

Evite transformar um problema pequeno em uma desistência maior.

O pensamento “já que hoje não deu certo, começo novamente na próxima segunda-feira” prolonga a situação.

Você pode recomeçar na próxima hora, depois do almoço ou no dia seguinte.

Recomeçar não exige uma data especial.

Aprender como lidar com dias improdutivos sem se culpar é entender que produtividade não acontece em uma linha reta.

Existem dias de muita energia, criatividade e concentração. Também existem dias lentos, confusos e cansativos.

Ambos fazem parte da vida.

Quando um dia não render, tente:

  • reconhecer seus limites;
  • revisar as expectativas;
  • escolher uma tarefa mínima;
  • anotar as pendências;
  • reduzir as distrações;
  • fazer uma pausa verdadeira;
  • cuidar das necessidades básicas;
  • pedir ajuda;
  • preparar o próximo dia;
  • recomeçar sem punição.

Você continua sendo uma pessoa competente mesmo quando precisa descansar.

Seu valor não diminui porque uma lista ficou incompleta.

Produtividade saudável não significa produzir sem parar. Significa saber quando avançar, quando ajustar e quando respeitar o próprio limite.

Alguns dias serão utilizados para construir grandes resultados.

Outros serão necessários para recuperar a energia que permitirá continuar construindo.

Os dois possuem valor.

29/07/2026 0 comentários
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Gestão e Bastidores de CEO

Produtividade Feminina: Como Conciliar Trabalho, Casa e Vida Pessoal

por Thais Cristina 29/07/2026
escrito por Thais Cristina
Produtividade Feminina: Como Conciliar Trabalho, Casa e Vida Pessoal

Trabalho, casa, filhos, reuniões, mensagens, compromissos, contas, saúde, relacionamento e projetos pessoais.

Para muitas mulheres, a sensação é de que o dia começa antes mesmo de levantar da cama. Enquanto o corpo ainda está acordando, a mente já está organizando horários, lembrando pendências e tentando prever tudo o que pode dar errado.

No final do dia, mesmo depois de realizar diversas tarefas, ainda pode surgir aquela sensação incômoda de não ter feito o suficiente.

Mas será que o problema é realmente falta de produtividade?

Na maioria das vezes, não.

Muitas mulheres estão tentando administrar uma quantidade enorme de responsabilidades ao mesmo tempo. Além das atividades visíveis, existe a chamada carga mental: lembrar consultas, acompanhar prazos, organizar compras, antecipar necessidades da família, responder mensagens e tomar pequenas decisões durante todo o dia.

Dados da ONU Mulheres mostram que mulheres e meninas brasileiras com 15 anos ou mais dedicam cerca de 11,6% do seu tempo ao trabalho doméstico e de cuidado não remunerado. Entre os homens, essa proporção é de aproximadamente 4,8%. Ou seja, as mulheres continuam dedicando uma parcela significativamente maior do seu tempo a essas responsabilidades.

Por isso, criar uma rotina produtiva para mulheres ocupadas não deve significar preencher cada minuto do dia.

Produtividade saudável significa organizar prioridades, diminuir o excesso de decisões, respeitar os limites e dedicar energia ao que realmente importa.

Neste artigo, você vai aprender como criar uma rotina mais produtiva e realista, sem tentar dar conta de tudo sozinha e sem transformar sua agenda em mais uma fonte de pressão.

Produtividade não é fazer o máximo possível

Existe uma ideia equivocada de que uma pessoa produtiva está sempre ocupada.

Ela acorda cedo, pratica exercícios, prepara o café da manhã, trabalha, estuda, cuida da casa, produz conteúdo, acompanha os filhos e ainda termina o dia com energia.

Na vida real, esse padrão é difícil de sustentar.

Estar ocupada não significa necessariamente estar avançando.

Você pode passar o dia respondendo mensagens, resolvendo pequenas urgências e participando de reuniões, mas não conseguir concluir a atividade mais importante da semana.

Produtividade é utilizar tempo, atenção e energia para alcançar resultados relevantes.

Em alguns dias, isso pode significar concluir um grande projeto. Em outros, pode signific descansar, resolver uma questão familiar ou reorganizar a semana.

Uma rotina saudável precisa considerar que a energia não é igual todos os dias.

Há noites mal dormidas, imprevistos, filhos doentes, períodos de maior pressão profissional e momentos em que o corpo simplesmente pede uma pausa.

O valor de uma mulher não é determinado pela quantidade de tarefas que ela consegue concluir.

Por que tantas mulheres se sentem sobrecarregadas?

A sobrecarga não acontece apenas porque existem muitas tarefas.

Ela também surge porque uma única pessoa passa a ser responsável por lembrar, organizar, distribuir e acompanhar tudo.

Mesmo quando outras pessoas ajudam, a mulher pode continuar ocupando o papel de “gerente” da casa ou da família.

Por exemplo, alguém pode ajudar a levar a criança ao médico, mas outra pessoa precisou:

  • perceber que a consulta era necessária;
  • escolher o profissional;
  • agendar o horário;
  • lembrar a data;
  • separar os documentos;
  • organizar o transporte;
  • acompanhar as recomendações posteriores.

Essa parte invisível do trabalho consome energia mental.

Um estudo publicado em 2025 sobre a realidade das trabalhadoras brasileiras destacou que as mulheres continuam sendo as principais responsáveis pelo trabalho de cuidado e pelas atividades domésticas, frequentemente conciliando essas tarefas com o emprego remunerado.

O Fundo Monetário Internacional também apontou, em fevereiro de 2026, que as responsabilidades domésticas e familiares ainda representam uma barreira importante para a participação das mulheres brasileiras no mercado de trabalho. Segundo a análise, reduzir pela metade a diferença de participação entre homens e mulheres até 2033 poderia elevar o crescimento econômico brasileiro em cerca de 0,5 ponto percentual ao ano.

Portanto, a dificuldade em administrar a rotina não é simplesmente uma falha individual de organização.

Existe uma distribuição desigual de trabalho e cuidado que precisa ser reconhecida.

1. Pare de organizar somente as tarefas

A maioria das pessoas começa o planejamento criando uma lista.

O problema é que uma lista pode misturar atividades grandes, pequenas, urgentes e pouco importantes.

Por exemplo:

  • responder e-mails;
  • organizar documentos;
  • criar a estratégia do próximo trimestre;
  • comprar material escolar;
  • marcar consulta;
  • revisar uma apresentação;
  • limpar a caixa de entrada.

Todas essas tarefas aparecem no mesmo espaço, como se tivessem o mesmo peso.

Em vez de organizar apenas tarefas, comece organizando áreas da vida.

Você pode dividir sua rotina em:

  • trabalho;
  • família;
  • casa;
  • saúde;
  • finanças;
  • relacionamento;
  • projetos pessoais;
  • descanso.

Depois, avalie quais áreas exigem maior atenção nesta fase.

Talvez o trabalho esteja em um período de lançamento e precise de mais energia. Talvez a prioridade seja cuidar da saúde ou reorganizar as finanças.

Nem todas as áreas precisam avançar com a mesma intensidade ao mesmo tempo.

2. Escolha três prioridades por dia

Uma lista com 20 tarefas pode criar a sensação de fracasso antes mesmo de o dia começar.

Escolha três prioridades principais.

Essas prioridades devem representar as atividades que realmente precisam avançar naquele dia.

Por exemplo:

  1. Finalizar uma proposta comercial;
  2. Levar o filho à consulta;
  3. Organizar os pagamentos da semana.

As outras tarefas podem ser realizadas caso exista tempo e energia.

Isso não significa que apenas três coisas serão feitas. Significa que você já decidiu o que não pode ser esquecido.

Ao concluir essas atividades, o dia cumpriu sua função principal.

Essa estratégia reduz a culpa de olhar para uma lista enorme e perceber que várias tarefas continuam pendentes.

3. Faça um planejamento semanal

Planejar apenas o dia pode fazer com que você comece todas as manhãs do zero.

O planejamento semanal permite visualizar compromissos, prazos e momentos de maior sobrecarga.

Escolha um horário fixo, como domingo à noite ou segunda-feira pela manhã, e revise:

  • reuniões;
  • consultas;
  • entregas;
  • compromissos familiares;
  • pagamentos;
  • atividades pessoais;
  • tarefas domésticas;
  • períodos de descanso.

Depois, defina qual será o resultado mais importante da semana.

Pode ser:

  • entregar um projeto;
  • fechar uma venda;
  • organizar a casa;
  • iniciar uma atividade física;
  • resolver uma pendência financeira;
  • preparar uma campanha.

Uma semana produtiva não é aquela em que tudo foi concluído. É aquela em que a prioridade principal avançou.

4. Utilize blocos de tempo

O método de blocos de tempo consiste em reservar períodos específicos para determinados tipos de atividade.

Em vez de alternar constantemente entre mensagens, tarefas, reuniões e problemas, você agrupa atividades parecidas.

Um exemplo de rotina seria:

Início da manhã

  • planejamento do dia;
  • atividade que exige maior concentração;
  • projeto prioritário.

Final da manhã

  • reuniões;
  • atendimento;
  • respostas importantes.

Início da tarde

  • tarefas operacionais;
  • revisões;
  • atividades administrativas.

Final da tarde

  • mensagens;
  • organização;
  • preparação do dia seguinte.

Essa estrutura precisa ser adaptada à sua realidade.

Uma mulher que trabalha fora de casa terá uma rotina diferente de uma profissional autônoma ou de uma mãe que trabalha em home office.

O objetivo não é controlar cada minuto, mas proteger períodos de concentração.

5. Reduza as trocas constantes de tarefa

Responder uma mensagem enquanto participa de uma reunião, verificar um e-mail durante uma atividade importante e abrir várias abas ao mesmo tempo pode passar a impressão de produtividade.

Entretanto, essas trocas frequentes de atenção aumentam o cansaço e dificultam a conclusão das atividades.

Tente trabalhar em uma tarefa por vez.

Durante um bloco de concentração:

  • silencie notificações;
  • mantenha apenas as ferramentas necessárias abertas;
  • avise a equipe quando não estiver disponível;
  • estabeleça um horário para responder mensagens;
  • evite verificar o celular repetidamente.

Não é necessário ficar horas sem interrupção.

Comece com blocos de 25, 30 ou 45 minutos.

Depois, faça uma pausa curta antes de iniciar outra atividade.

6. Organize a rotina de acordo com sua energia

Nem todas as horas do dia possuem a mesma qualidade.

Algumas pessoas pensam melhor pela manhã. Outras conseguem produzir mais durante a tarde ou à noite.

Observe em qual período você possui mais concentração.

Utilize esse horário para tarefas estratégicas, como:

  • escrever;
  • planejar;
  • analisar números;
  • criar propostas;
  • tomar decisões;
  • resolver problemas complexos.

Deixe tarefas mais simples para os períodos de menor energia:

  • organizar arquivos;
  • responder mensagens;
  • conferir agendas;
  • atualizar planilhas;
  • realizar tarefas administrativas.

Organizar o trabalho de acordo com a energia pode ser mais eficiente do que tentar seguir uma rotina baseada apenas no relógio.

7. Crie rotinas mínimas para dias difíceis

Uma rotina produtiva precisa funcionar também quando o dia não acontece como planejado.

Por isso, crie uma versão mínima da sua rotina.

Em um dia normal, você pode planejar:

  • 40 minutos de exercício;
  • duas horas de concentração;
  • organização da casa;
  • preparação das refeições;
  • leitura.

Em um dia difícil, a versão mínima poderia ser:

  • caminhar por 10 minutos;
  • concluir uma tarefa prioritária;
  • organizar apenas um cômodo;
  • preparar uma refeição simples;
  • ler duas páginas.

A versão mínima mantém o hábito sem exigir um desempenho impossível.

Fazer menos ainda é diferente de abandonar completamente.

8. Aprenda a delegar de verdade

Delegar não é apenas pedir ajuda quando você já está no limite.

É dividir responsabilidades antes que a sobrecarga aconteça.

Dentro de casa, isso pode significar compartilhar tarefas de maneira mais clara.

Em vez de pedir: “Você pode me ajudar com as crianças?”, defina responsabilidades completas.

Por exemplo:

  • uma pessoa fica responsável pelos horários escolares;
  • outra acompanha consultas;
  • uma organiza as compras;
  • outra cuida dos pagamentos;
  • cada integrante possui tarefas domésticas definidas.

No trabalho, delegar significa informar:

  • o que precisa ser feito;
  • qual resultado é esperado;
  • qual é o prazo;
  • quais recursos estão disponíveis;
  • quando deve existir uma atualização.

Quem delega precisa aceitar que outra pessoa pode executar a tarefa de maneira diferente.

Tentar controlar cada detalhe faz com que você continue mentalmente responsável pelo trabalho.

9. Utilize ferramentas sem complicar a rotina

Ferramentas podem facilitar a organização, mas também podem criar mais trabalho.

Você não precisa utilizar cinco aplicativos diferentes.

Escolha um sistema simples.

Algumas opções são:

  • agenda digital;
  • calendário;
  • bloco de notas;
  • caderno;
  • aplicativo de tarefas;
  • planilha;
  • quadro visual.

O melhor aplicativo não é aquele que possui mais funções.

É aquele que você consegue consultar e atualizar com frequência.

10. Estabeleça limites para mensagens e disponibilidade

A possibilidade de responder mensagens a qualquer hora fez com que muitas pessoas se sentissem disponíveis o tempo inteiro.

Cada notificação pode interromper uma atividade, gerar ansiedade ou criar uma nova tarefa.

Defina horários para verificar:

  • WhatsApp;
  • e-mail;
  • redes sociais;
  • aplicativos da empresa;
  • mensagens pessoais.

Também comunique seus limites.

Você pode informar clientes e equipe sobre horários de atendimento e prazos de resposta.

Nem toda mensagem precisa ser respondida imediatamente.

Urgência real e ansiedade por resposta são coisas diferentes.

11. Inclua pausas no planejamento

Pausa não é o oposto de produtividade.

O descanso faz parte da capacidade de trabalhar, cuidar e tomar decisões.

Sem pausas, tarefas simples começam a exigir mais tempo. A concentração diminui, a irritação aumenta e os erros aparecem com maior frequência.

Inclua pequenos intervalos para:

  • beber água;
  • alongar o corpo;
  • fazer uma refeição;
  • respirar;
  • caminhar;
  • sair da frente da tela.

Também reserve momentos sem uma finalidade produtiva.

Você não precisa transformar todo tempo livre em curso, leitura, exercício ou novo projeto.

Descansar sem produzir nada também é necessário.

12. Planeje o autocuidado de maneira possível

Autocuidado não precisa ser uma rotina longa ou cara.

Ele pode aparecer em pequenas decisões:

  • dormir um pouco mais cedo;
  • realizar exames;
  • fazer uma refeição com calma;
  • praticar uma atividade física;
  • pedir ajuda;
  • manter uma consulta;
  • passar alguns minutos sozinha;
  • voltar a fazer algo de que gosta.

A ideia de que a mulher precisa cuidar de todos antes de cuidar de si mesma aumenta a sobrecarga.

Você também faz parte das pessoas que precisam da sua atenção.

13. Organize sua vida financeira

A desorganização financeira pode ocupar grande espaço mental.

Quando existem contas atrasadas, dívidas ou despesas sem planejamento, a preocupação acompanha a mulher durante o trabalho, os momentos familiares e até o sono.

Uma pesquisa da Anbima com o Datafolha, divulgada em junho de 2026, indicou que 47% dos brasileiros apresentavam alto estresse financeiro. Outros 48% estavam em nível médio. Entre os entrevistados, 37% afirmaram que as preocupações com dinheiro prejudicavam o sono.

Crie uma rotina financeira simples:

  • confira o saldo uma vez por semana;
  • organize os vencimentos;
  • registre despesas relevantes;
  • acompanhe a fatura;
  • planeje gastos maiores;
  • automatize pagamentos;
  • estabeleça uma meta mensal.

O artigo Como organizar sua vida financeira em 2026 traz um passo a passo para controlar gastos e criar um planejamento possível.

Exemplo de rotina produtiva para mulheres ocupadas

Não existe uma rotina universal, mas você pode utilizar esta estrutura como ponto de partida:

Antes de iniciar o trabalho

  • acordar e realizar cuidados básicos;
  • conferir os compromissos;
  • escolher três prioridades;
  • evitar começar o dia nas redes sociais.

Primeiro bloco de trabalho

  • executar a tarefa mais importante;
  • manter notificações silenciadas;
  • evitar reuniões desnecessárias.

Meio do dia

  • fazer uma pausa;
  • realizar a refeição sem trabalhar;
  • revisar apenas o necessário.

Segundo bloco de trabalho

  • reuniões;
  • atendimentos;
  • tarefas operacionais;
  • acompanhamento da equipe.

Final do expediente

  • responder mensagens pendentes;
  • registrar o que ficou para depois;
  • organizar o próximo dia;
  • encerrar o trabalho.

Noite

  • compromissos pessoais e familiares;
  • rotina da casa;
  • atividade leve;
  • descanso.

Essa estrutura não precisa acontecer perfeitamente.

Ela serve apenas para reduzir decisões e criar alguma previsibilidade.

Rotina produtiva para mulheres empreendedoras

Quem empreende costuma misturar atividades estratégicas e operacionais.

Em um mesmo dia, a empresária pode cuidar de vendas, atendimento, financeiro, marketing, equipe e planejamento.

Por isso, é importante separar os papéis.

Crie blocos ou dias temáticos.

Por exemplo:

  • segunda-feira: planejamento e equipe;
  • terça-feira: comercial;
  • quarta-feira: marketing;
  • quinta-feira: projetos;
  • sexta-feira: financeiro e análise.

Isso não significa que problemas de outras áreas não aparecerão. Porém, você terá um espaço reservado para cada assunto.

Principais erros ao tentar criar uma rotina produtiva

Evite transformar a organização em mais uma forma de cobrança.

Entre os erros mais comuns estão:

  • copiar a rotina de outra pessoa;
  • planejar todos os minutos;
  • colocar tarefas demais no mesmo dia;
  • ignorar o tempo de deslocamento;
  • esquecer os imprevistos;
  • não incluir pausas;
  • tentar mudar tudo de uma vez;
  • dizer sim para todos;
  • começar vários projetos simultaneamente;
  • abandonar o planejamento após uma semana difícil.

Uma rotina não precisa ser perfeita para funcionar.

Ela precisa ser ajustável.

Comece com uma mudança por semana

Não tente implantar todas as estratégias ao mesmo tempo.

Escolha uma mudança para cada semana.

Semana 1

Defina três prioridades por dia.

Semana 2

Crie um planejamento semanal.

Semana 3

Estabeleça blocos sem notificações.

Semana 4

Delegue uma responsabilidade completa.

Semana 5

Organize os horários de mensagens.

Semana 6

Inclua pausas e uma atividade pessoal.

Depois de algumas semanas, sua rotina estará mais organizada sem exigir uma transformação radical.

Criar uma rotina produtiva para mulheres ocupadas não significa conseguir encaixar mais tarefas em um dia que já está cheio.

Significa decidir o que merece sua atenção, reduzir a carga mental e reconhecer que você não precisa resolver tudo sozinha.

Uma rotina mais equilibrada pode começar com atitudes simples:

  • escolher três prioridades;
  • planejar a semana;
  • utilizar blocos de tempo;
  • reduzir interrupções;
  • delegar responsabilidades;
  • estabelecer limites;
  • criar versões mínimas dos hábitos;
  • organizar as finanças;
  • incluir descanso;
  • aceitar que nem todos os dias serão iguais.

A produtividade precisa trabalhar a favor da sua vida, não contra ela.

Você não precisa estar disponível o tempo inteiro, manter todas as áreas perfeitas ou cumprir uma rotina criada para outra realidade.

Comece observando o que mais consome sua energia atualmente.

Depois, faça uma mudança possível.

Uma rotina sustentável não é construída em um dia. Ela surge por meio de pequenos ajustes, escolhas conscientes e limites repetidos ao longo do tempo.

No final, ser produtiva não é dar conta de tudo.

É conseguir cuidar do que realmente importa sem esquecer de cuidar de você.

29/07/2026 0 comentários
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Finanças para NegóciosGestão e Bastidores de CEO

Como Economizar, Quitar Dívidas e Guardar Dinheiro em 2026

por Thais Cristina 28/07/2026
escrito por Thais Cristina
Planejamento Financeiro Pessoal: Como Cuidar Melhor do Dinheiro em 2026

Organizar a vida financeira não significa deixar de aproveitar a vida, cortar tudo o que gosta ou passar horas preenchendo planilhas complicadas.

Na prática, ter organização financeira significa saber quanto dinheiro entra, entender para onde ele está indo e tomar decisões mais conscientes antes que as contas se transformem em um problema maior.

Em 2026, esse cuidado se tornou ainda mais importante.

O endividamento das famílias brasileiras atingiu níveis elevados. Em abril de 2026, 80,9% das famílias do país possuíam algum tipo de dívida, o maior percentual registrado na série da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor, a Peic.

A inadimplência também continua sendo um grande desafio. Em janeiro de 2026, o Brasil alcançou aproximadamente 81,3 milhões de consumidores inadimplentes, segundo o Mapa da Inadimplência da Serasa. Foi o maior número registrado na série histórica até aquele momento.

Esses números mostram que muitas pessoas estão tendo dificuldades para equilibrar renda, despesas, cartão de crédito, financiamentos e imprevistos.

Mas estar endividado ou desorganizado não significa que a situação não possui solução.

Com um método simples, metas possíveis e acompanhamento frequente, é possível recuperar o controle, reduzir a ansiedade e começar a construir uma vida financeira mais segura.

Neste artigo, você vai aprender como organizar sua vida financeira em 2026, mesmo que hoje não saiba exatamente para onde o seu dinheiro está indo.

Por que é tão difícil organizar a vida financeira?

Muitas pessoas acreditam que não conseguem se organizar porque ganham pouco, não possuem disciplina ou não entendem de investimentos.

Embora a renda tenha grande importância, a desorganização também pode acontecer com quem ganha bem.

Isso ocorre porque organização financeira depende de uma combinação de fatores:

  • clareza sobre os próprios números;
  • hábitos de consumo;
  • planejamento;
  • controle do crédito;
  • capacidade de lidar com imprevistos;
  • definição de prioridades;
  • constância.

Uma pessoa pode receber R$ 3.000 por mês e conseguir guardar uma pequena quantia. Outra pode receber R$ 10.000 e terminar todos os meses utilizando o limite da conta.

O problema nem sempre está apenas no valor recebido. Muitas vezes, está na ausência de um sistema.

Quando não existe um planejamento, o dinheiro é utilizado conforme as necessidades aparecem. A pessoa paga uma conta, parcela uma compra, faz um Pix, utiliza o cartão e só percebe o tamanho das despesas quando recebe a fatura.

Por isso, o primeiro passo não é investir nem cortar o café. O primeiro passo é enxergar a realidade.

1. Faça um diagnóstico financeiro completo

Você não consegue organizar aquilo que não conhece.

Comece anotando todas as suas fontes de renda. Considere salário, comissões, trabalhos extras, pensões, aluguéis, benefícios e outras entradas.

Depois, liste todas as despesas.

Separe os gastos em categorias.

Despesas fixas

São aquelas que normalmente aparecem todos os meses e possuem valores semelhantes, como:

  • aluguel ou financiamento;
  • condomínio;
  • mensalidade escolar;
  • plano de saúde;
  • internet;
  • telefone;
  • assinaturas;
  • parcelas de empréstimos.

Despesas variáveis essenciais

São necessárias, mas podem mudar de valor:

  • energia;
  • água;
  • supermercado;
  • combustível;
  • transporte;
  • medicamentos;
  • manutenção da casa.

Despesas não essenciais

Estão relacionadas ao estilo de vida e podem ser ajustadas:

  • restaurantes;
  • compras por impulso;
  • aplicativos;
  • passeios;
  • roupas;
  • presentes;
  • delivery;
  • entretenimento.

Dívidas e parcelamentos

Liste separadamente:

  • cartões de crédito;
  • empréstimos;
  • cheque especial;
  • financiamentos;
  • compras parceladas;
  • contas atrasadas;
  • dívidas com familiares.

Não faça estimativas muito genéricas. Abra os aplicativos do banco, consulte as faturas e observe os últimos dois ou três meses.

Esse processo pode ser desconfortável, mas é necessário.

Ignorar os números não reduz as dívidas. Apenas adia as decisões.

2. Calcule quanto realmente sobra por mês

Depois de listar as entradas e saídas, faça uma conta simples:

Receitas mensais – despesas mensais = saldo disponível

Imagine que uma pessoa receba R$ 5.000 líquidos por mês e tenha as seguintes despesas:

  • Moradia: R$ 1.500;
  • Alimentação: R$ 900;
  • Transporte: R$ 500;
  • Contas da casa: R$ 450;
  • Saúde: R$ 350;
  • Parcelamentos: R$ 600;
  • Lazer e compras: R$ 900.

As despesas totalizam R$ 5.200.

Isso significa que existe um déficit mensal de R$ 200.

Mesmo que o valor pareça pequeno, ele pode se transformar em R$ 2.400 ao longo de um ano, sem considerar juros.

Nesse cenário, não existe dinheiro disponível para investir. Antes disso, será necessário reduzir despesas, aumentar a renda ou fazer as duas coisas.

O objetivo do diagnóstico não é gerar culpa. É mostrar qual decisão precisa ser tomada.

3. Crie um orçamento que combine com sua realidade

Um orçamento é um plano para utilizar o dinheiro antes que ele seja gasto.

Você pode utilizar uma planilha, um caderno, um aplicativo ou até as anotações do celular. A melhor ferramenta é aquela que você realmente consegue manter.

Uma forma simples de organizar o orçamento é dividir a renda em grandes grupos:

  • despesas essenciais;
  • objetivos financeiros;
  • lazer e gastos pessoais;
  • pagamento de dívidas.

A conhecida regra 50-30-20 sugere destinar 50% da renda às necessidades, 30% aos desejos e 20% à poupança ou aos objetivos financeiros.

No entanto, essa divisão não deve ser tratada como uma regra obrigatória.

Uma família que gasta 65% da renda com moradia, alimentação e saúde talvez não consiga guardar 20% imediatamente. Nesse caso, pode começar com 2%, 5% ou 10%.

O orçamento precisa ser possível.

É melhor guardar R$ 100 por mês com constância do que definir uma meta de R$ 1.000, não conseguir cumprir e abandonar o planejamento.

4. Pare de depender do limite do cartão

O limite do cartão de crédito não é uma extensão do salário.

Quando uma pessoa recebe R$ 4.000 e possui R$ 8.000 de limite, isso não significa que ela dispõe de R$ 12.000.

O limite é um crédito oferecido pela instituição financeira. Todo valor utilizado precisará ser pago posteriormente.

O cartão pode ser útil para centralizar pagamentos, ganhar prazo e facilitar compras online. O problema aparece quando ele é utilizado para complementar uma renda que já acabou.

Para controlar melhor o cartão:

  • acompanhe a fatura durante o mês;
  • defina um limite pessoal menor que o limite oferecido;
  • evite parcelamentos muito longos;
  • não parcele despesas recorrentes, como supermercado;
  • mantenha apenas os cartões que realmente utiliza;
  • nunca considere a parcela isoladamente;
  • observe o valor total da compra.

Uma compra de R$ 2.400 parcelada em 12 vezes pode parecer leve porque a parcela é de R$ 200. Porém, durante um ano, parte da sua renda já estará comprometida.

Quando várias parcelas se acumulam, os próximos salários começam a chegar parcialmente gastos.

5. Organize e priorize suas dívidas

Ter dívida não significa necessariamente estar inadimplente.

Uma compra parcelada no cartão, um financiamento imobiliário e um empréstimo são dívidas, mesmo que estejam sendo pagos corretamente.

A inadimplência acontece quando uma obrigação não é paga dentro do prazo.

Se você possui contas atrasadas, organize uma lista com:

  • nome do credor;
  • valor original;
  • valor atualizado;
  • juros;
  • quantidade de parcelas;
  • data de vencimento;
  • possibilidade de negociação.

Priorize as dívidas com juros mais altos, especialmente cartão de crédito rotativo e cheque especial.

Antes de aceitar uma renegociação, verifique:

  • valor total do acordo;
  • quantidade de parcelas;
  • taxa de juros;
  • valor da entrada;
  • consequências em caso de atraso;
  • impacto da parcela no orçamento.

Uma parcela menor nem sempre representa uma dívida mais barata. Em alguns casos, o prazo aumenta tanto que o valor final fica muito maior.

A negociação precisa caber no orçamento real. Caso contrário, existe o risco de atrasar novamente e perder as condições oferecidas.

O Banco Central mantém conteúdos de cidadania financeira com orientações sobre planejamento, crédito, dívidas e construção de resiliência para enfrentar imprevistos.

6. Crie uma reserva de emergência

A reserva de emergência é um valor guardado para situações inesperadas, como:

  • perda de renda;
  • problemas de saúde;
  • reparos urgentes;
  • manutenção do carro;
  • despesas familiares;
  • períodos com menos vendas;
  • imprevistos profissionais.

Sem uma reserva, qualquer emergência pode acabar no cartão de crédito, no cheque especial ou em um empréstimo.

O Banco Central destaca que manter uma reserva ajuda a aumentar a resiliência financeira e reduz o impacto de problemas inesperados no orçamento.

Não existe um valor único que funcione para todas as pessoas.

Uma referência comum é guardar o equivalente a três a seis meses das despesas essenciais. Quem possui renda instável, trabalha por conta própria ou sustenta outras pessoas pode considerar uma reserva maior.

Imagine que suas despesas essenciais sejam de R$ 4.000 por mês.

Uma reserva equivalente a seis meses seria de R$ 24.000.

Esse número pode parecer distante. Por isso, divida o objetivo em etapas:

  1. Primeira meta: R$ 500;
  2. Segunda meta: R$ 1.000;
  3. Terceira meta: um mês de despesas;
  4. Meta seguinte: três meses;
  5. Objetivo completo: seis meses ou mais.

O importante é começar.

A reserva deve ficar em uma aplicação segura, com liquidez e baixo risco. Ela não deve ser utilizada para viagens, promoções ou compras planejadas.

7. Separe a reserva dos outros objetivos

Nem todo dinheiro guardado é reserva de emergência.

Uma viagem, a troca do celular, a entrada de um imóvel e a compra de um carro são objetivos previsíveis.

Crie reservas separadas para cada finalidade.

Por exemplo:

  • reserva de emergência;
  • viagem;
  • despesas anuais;
  • educação;
  • entrada do imóvel;
  • aposentadoria.

Essa separação evita que você utilize o dinheiro da emergência para pagar uma despesa que já poderia ter sido planejada.

Também é importante se preparar para gastos anuais, como:

  • IPVA;
  • IPTU;
  • material escolar;
  • matrícula;
  • seguros;
  • manutenção;
  • impostos;
  • presentes;
  • festas de final de ano.

Se o IPVA custará aproximadamente R$ 2.400, você pode guardar R$ 200 por mês durante 12 meses.

Dessa forma, a despesa deixa de ser uma surpresa.

8. Defina metas financeiras para os próximos 90 dias

Objetivos muito longos podem gerar desânimo. Por isso, utilize ciclos menores.

Uma meta financeira de 90 dias pode ser:

  • quitar uma dívida de R$ 1.500;
  • guardar R$ 900;
  • reduzir os gastos com delivery em 40%;
  • cancelar cinco assinaturas que não utiliza;
  • começar uma renda extra;
  • organizar todas as contas;
  • ficar três meses sem atrasos;
  • reduzir a fatura do cartão de R$ 3.000 para R$ 2.000.

A meta precisa ser específica e mensurável.

No artigo sobre como definir uma meta de 90 dias para sua empresa, explicamos como dividir objetivos em ações semanais. A mesma lógica pode ser aplicada às finanças pessoais: estabeleça um resultado, defina um prazo e acompanhe o progresso toda semana.

9. Automatize sua organização financeira

Depender apenas da força de vontade torna o processo mais difícil.

Sempre que possível, automatize algumas decisões.

Você pode:

  • agendar transferências para a reserva;
  • colocar contas fixas em débito automático;
  • criar alertas de vencimento;
  • separar o dinheiro dos objetivos assim que receber;
  • definir limites nos aplicativos bancários;
  • utilizar categorias de gastos;
  • revisar as assinaturas mensalmente.

Uma boa estratégia é utilizar o princípio de “pagar-se primeiro”.

Assim que a renda entrar, transfira o valor destinado à reserva ou às metas. Não espere o final do mês para guardar o que sobrar, porque muitas vezes não sobra nada.

Mesmo que o valor inicial seja de R$ 50, o hábito cria consistência.

10. Aprenda a diferenciar desejo, necessidade e prioridade

Nem toda compra precisa ser proibida.

A organização financeira não deve transformar a vida em uma sequência de restrições.

O objetivo é gastar com consciência.

Antes de comprar, pergunte:

  • Eu realmente preciso disso?
  • Já possuo algo semelhante?
  • Essa compra cabe no orçamento?
  • Vou precisar parcelar?
  • O valor total faz sentido?
  • Estou comprando por necessidade ou emoção?
  • Essa compra atrasa algum objetivo importante?

Uma técnica simples é esperar 24 ou 48 horas antes de realizar uma compra não essencial.

Muitas vontades desaparecem quando o impulso passa.

Também evite utilizar as redes sociais como referência para seu padrão de vida. Nem sempre você conhece a realidade financeira por trás da viagem, do carro, da casa ou das compras apresentadas na internet.

11. Busque formas de aumentar a renda

Cortar gastos possui um limite.

Depois de reduzir desperdícios, talvez seja necessário buscar novas fontes de renda para acelerar os objetivos.

Algumas possibilidades são:

  • prestar serviços;
  • vender produtos;
  • trabalhar como afiliado;
  • criar produtos digitais;
  • realizar trabalhos extras;
  • vender itens que não utiliza;
  • aprender uma nova habilidade;
  • negociar um aumento;
  • transformar conhecimento em consultoria;
  • iniciar um pequeno negócio.

No Dia de CEO, o artigo Primeiras Vendas no Digital: um guia para começar do zero apresenta caminhos para quem deseja explorar oportunidades de vendas pela internet.

Também vale acompanhar a categoria de E-commerce e Vendas Online, com conteúdos sobre produtos, lojas virtuais, marketplaces e estratégias digitais.

A renda extra pode ajudar, mas ela precisa ser direcionada.

Se todo dinheiro adicional for utilizado para aumentar o padrão de consumo, a situação financeira continuará praticamente igual.

Defina antecipadamente o destino da renda extra, como:

  • 50% para pagar dívidas;
  • 30% para a reserva;
  • 20% para lazer.

Os percentuais podem variar, mas o importante é ter uma regra.

12. Separe as finanças pessoais das empresariais

Para quem empreende, misturar o dinheiro pessoal com o dinheiro da empresa é um dos erros mais perigosos.

Quando tudo passa pela mesma conta, fica difícil saber:

  • se a empresa realmente gera lucro;
  • quanto o negócio pode pagar ao proprietário;
  • quais são os custos da operação;
  • quanto dinheiro pertence à empresa;
  • quais despesas são pessoais;
  • se existe capital para impostos e investimentos.

O ideal é utilizar contas separadas e definir um pró-labore.

O empreendedor não deve retirar dinheiro da empresa toda vez que aparece uma necessidade pessoal. Essas retiradas podem comprometer o fluxo de caixa e esconder problemas do negócio.

Organizar a vida financeira também exige respeitar a saúde financeira da empresa.

Para acompanhar conteúdos sobre planejamento, liderança e rotina empresarial, acesse a página inicial do Dia de CEO, que reúne experiências e estratégias aplicadas à realidade de quem empreende.

13. Faça uma reunião financeira mensal

Reserve um dia por mês para revisar suas finanças.

Durante essa análise, confira:

  • quanto entrou;
  • quanto foi gasto;
  • quais categorias aumentaram;
  • quais contas vencerão;
  • quanto foi guardado;
  • como está a reserva;
  • quais dívidas diminuíram;
  • quais metas avançaram;
  • o que precisa ser ajustado.

Essa reunião pode durar de 30 minutos a uma hora.

Quem mora com outra pessoa e compartilha despesas deve incluir o parceiro ou a parceira nessa conversa.

O diálogo financeiro não deve acontecer apenas quando aparece um problema.

Conversar sobre prioridades, limites e planos reduz conflitos e ajuda a família a trabalhar na mesma direção.

Modelo simples de organização financeira

Você pode iniciar com esta estrutura mensal:

Renda líquida

R$ 5.000

Despesas essenciais

R$ 3.200

Dívidas e parcelas

R$ 700

Reserva e objetivos

R$ 500

Lazer e gastos pessoais

R$ 400

Margem para imprevistos

R$ 200

Total: R$ 5.000

Nesse exemplo, cada real possui uma função.

Isso não significa que o orçamento nunca poderá mudar. Significa apenas que existe uma decisão antes do gasto.

Erros comuns na organização financeira

Evite alguns comportamentos frequentes:

  • criar um orçamento impossível;
  • ignorar pequenas despesas;
  • utilizar o cartão sem acompanhar a fatura;
  • fazer novas dívidas durante uma negociação;
  • guardar apenas o que sobra;
  • confundir limite com renda;
  • tentar recuperar dinheiro por meio de apostas;
  • investir antes de organizar dívidas caras;
  • manter assinaturas que não utiliza;
  • abandonar o planejamento após um mês difícil.

Organização financeira não exige perfeição.

Um mês pode sair do plano. Uma emergência pode acontecer. Uma despesa pode ser maior que o previsto.

O importante é revisar, ajustar e continuar.

Organizar sua vida financeira em 2026 começa com uma decisão simples: parar de fugir dos números.

Você não precisa resolver tudo em um único mês.

Comece entendendo quanto ganha, quanto gasta, quais dívidas possui e quais despesas podem ser ajustadas.

Depois, crie um orçamento possível, controle o cartão, negocie as dívidas, monte uma reserva e defina metas de curto prazo.

O caminho pode ser resumido assim:

  • conheça sua realidade;
  • gaste menos do que recebe;
  • evite juros altos;
  • crie uma reserva;
  • planeje despesas futuras;
  • aumente sua renda quando possível;
  • acompanhe os números mensalmente;
  • mantenha constância.

Em um cenário no qual mais de 80% das famílias brasileiras possuem dívidas e milhões de pessoas estão inadimplentes, cuidar do dinheiro deixou de ser apenas uma questão de organização. É uma forma de proteção, tranquilidade e liberdade.

Você não precisa esperar ganhar mais para começar.

Comece com o que possui hoje, utilizando metas compatíveis com sua realidade.

Cada conta organizada, cada dívida reduzida e cada valor guardado representa um passo em direção a uma vida financeira mais segura.

28/07/2026 0 comentários
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Estratégia EmpresarialGestão e Bastidores de CEO

Como Definir Metas de Curto Prazo para sua Empresa

por Thais Cristina 28/07/2026
escrito por Thais Cristina
Planejamento Trimestral: Como Definir Prioridades e Acompanhar Metas

Administrar uma empresa exige pensar no futuro, mas também tomar decisões no presente.

Muitos empresários começam o ano cheios de objetivos: aumentar o faturamento, conquistar mais clientes, organizar a equipe, melhorar o marketing, lançar um produto ou reduzir despesas.

O problema é que metas anuais podem parecer distantes demais.

Quando o prazo é muito longo, é fácil adiar decisões, perder o foco e deixar tarefas importantes para depois. Ao chegar no final do ano, o empresário percebe que trabalhou muito, mas avançou pouco nos projetos que realmente poderiam transformar o negócio.

É justamente por isso que o planejamento de 90 dias pode ser tão eficiente.

Uma meta de 90 dias transforma um objetivo maior em um ciclo mais curto, claro e mensurável. Esse período é longo o suficiente para produzir resultados relevantes, mas curto o bastante para criar senso de urgência.

Neste artigo, você vai aprender como definir uma meta de 90 dias para sua empresa, escolher indicadores, organizar as tarefas e acompanhar a execução sem transformar o planejamento em mais uma obrigação esquecida.

O que é uma meta de 90 dias?

Uma meta de 90 dias é um resultado específico que a empresa pretende alcançar dentro de aproximadamente três meses.

Ela pode estar relacionada a diferentes áreas do negócio, como:

  • faturamento;
  • vendas;
  • marketing;
  • atendimento;
  • produtividade;
  • gestão financeira;
  • contratação;
  • redução de custos;
  • lançamento de produtos;
  • melhoria de processos.

Por exemplo, “aumentar as vendas” é apenas uma intenção.

Uma meta de 90 dias seria:

“Aumentar o faturamento mensal da empresa de R$ 80 mil para R$ 100 mil até o final dos próximos 90 dias.”

Nesse caso, existe um resultado claro, um valor definido e um prazo.

A meta também precisa ser acompanhada por ações práticas, como aumentar o número de contatos comerciais, melhorar a taxa de conversão, recuperar clientes antigos e criar novas campanhas.

Por que trabalhar com ciclos de 90 dias?

As metas de curto prazo ajudam a dividir objetivos maiores em etapas mais próximas e mensuráveis. Segundo a Atlassian, metas de curto prazo costumam ter duração mensal ou trimestral e funcionam como marcos para alcançar resultados de longo prazo.

Isso significa que uma empresa não precisa abandonar seu planejamento anual. O ciclo de 90 dias funciona como uma ponte entre a visão de longo prazo e a rotina diária.

Imagine que o objetivo anual da empresa seja aumentar o faturamento em 30%.

Em vez de deixar toda a responsabilidade para o final do ano, o empresário pode criar quatro ciclos trimestrais:

  • primeiro ciclo: melhorar a geração de oportunidades;
  • segundo ciclo: aumentar a conversão;
  • terceiro ciclo: elevar o valor médio das vendas;
  • quarto ciclo: fortalecer a retenção dos clientes.

Cada período terá uma prioridade central.

Essa divisão facilita o acompanhamento e permite corrigir problemas antes que seja tarde.

Metas claras podem melhorar o desempenho

A definição de metas é uma das práticas mais estudadas na área de gestão e desempenho.

Pesquisas sobre a teoria de definição de objetivos indicam que metas claras, específicas e desafiadoras tendem a produzir resultados melhores do que orientações vagas, como simplesmente pedir para alguém “fazer o seu melhor”.

Isso acontece porque uma boa meta direciona a atenção da equipe.

Quando todos sabem o que precisa ser alcançado, fica mais fácil decidir quais tarefas são prioritárias, quais projetos podem esperar e como os recursos devem ser utilizados.

Por outro lado, metas confusas podem gerar desmotivação, retrabalho e conflitos de prioridade.

A empresa corre o risco de manter todos ocupados, mas sem avançar na mesma direção.

Qual é a diferença entre objetivo, meta e tarefa?

Antes de montar um planejamento de 90 dias, é importante entender três conceitos.

Objetivo

O objetivo representa uma direção mais ampla.

Exemplo:

“Melhorar a presença digital da empresa.”

Meta

A meta transforma o objetivo em um resultado mensurável.

Exemplo:

“Aumentar em 30% o número de oportunidades comerciais geradas pelos canais digitais nos próximos 90 dias.”

Tarefa

A tarefa é uma atividade necessária para alcançar a meta.

Exemplos:

  • publicar três conteúdos por semana;
  • criar duas campanhas de anúncios;
  • atualizar o site;
  • produzir uma página de captura;
  • enviar uma sequência de e-mails;
  • acompanhar os contatos gerados.

O objetivo mostra a direção, a meta define o resultado e as tarefas representam o caminho.

Como definir uma meta de 90 dias para sua empresa

O planejamento deve começar com um diagnóstico realista.

Não escolha uma meta apenas porque ela parece interessante ou porque outra empresa está fazendo algo parecido.

Analise o momento atual do negócio.

1. Avalie a situação atual da empresa

Antes de decidir onde deseja chegar, descubra onde a empresa está agora.

Analise dados como:

  • faturamento dos últimos meses;
  • número de vendas;
  • quantidade de clientes;
  • valor médio das compras;
  • taxa de conversão;
  • despesas;
  • margem de lucro;
  • produtividade da equipe;
  • atrasos;
  • reclamações;
  • oportunidades em aberto.

Evite tomar decisões apenas com base em percepções.

A sensação de que “as vendas estão ruins” precisa ser transformada em dados.

Talvez o número de contatos tenha diminuído. Talvez existam oportunidades, mas a equipe esteja convertendo pouco. Também pode ser que a empresa esteja vendendo, mas com um valor médio menor.

Cada problema exige uma estratégia diferente.

2. Escolha apenas uma prioridade principal

Um erro comum é criar muitas metas ao mesmo tempo.

A empresa quer aumentar as vendas, lançar um produto, trocar o sistema, contratar pessoas, reformular o site, melhorar o atendimento e produzir mais conteúdo.

Quando tudo é prioridade, nada recebe atenção suficiente.

Para o ciclo de 90 dias, escolha uma prioridade principal.

Pergunte:

“Qual resultado teria maior impacto positivo na empresa neste momento?”

A resposta pode ser:

  • aumentar o faturamento;
  • organizar o processo comercial;
  • reduzir cancelamentos;
  • lançar um novo serviço;
  • melhorar o fluxo de caixa;
  • conquistar determinada quantidade de clientes;
  • estruturar uma nova área.

A empresa pode acompanhar outros indicadores, mas deve existir uma meta central que ajude a orientar as decisões.

3. Utilize o método SMART

Uma maneira simples de estruturar a meta é utilizar o método SMART.

O modelo SMART ajuda a transformar intenções em objetivos específicos e fáceis de acompanhar. A sigla representa cinco características: específica, mensurável, alcançável, relevante e temporal.

Específica

A meta deve explicar claramente o que será alcançado.

Evite:

“Melhorar o comercial.”

Prefira:

“Aumentar a quantidade de novos contratos fechados por mês.”

Mensurável

É necessário ter um número ou critério de acompanhamento.

Exemplo:

“Passar de 15 para 22 contratos mensais.”

Alcançável

A meta precisa exigir esforço, mas deve ser possível.

Se a empresa vende atualmente R$ 50 mil por mês, definir uma meta de R$ 1 milhão para o próximo trimestre provavelmente será pouco realista sem mudanças muito significativas.

Relevante

A meta precisa contribuir para o momento e a estratégia da empresa.

Não faz sentido aumentar seguidores se o principal problema do negócio é a baixa margem de lucro e não existe um plano para transformar a audiência em oportunidades.

Temporal

A meta deve possuir um prazo.

No nosso caso, o prazo será de 90 dias.

Um exemplo completo seria:

“Aumentar o faturamento médio mensal da empresa de R$ 80 mil para R$ 100 mil até o final dos próximos 90 dias, por meio do aumento das oportunidades comerciais e da melhoria da conversão.”

4. Defina os indicadores de resultado

Depois de escrever a meta, escolha os números que serão acompanhados.

Esses indicadores mostram se a empresa está se aproximando do resultado.

Para uma meta de faturamento, você pode acompanhar:

  • valor vendido;
  • quantidade de vendas;
  • número de oportunidades;
  • taxa de conversão;
  • ticket médio;
  • prazo médio de fechamento;
  • cancelamentos.

Para uma meta de marketing:

  • visitas no site;
  • leads gerados;
  • custo por lead;
  • alcance;
  • cliques;
  • contatos recebidos;
  • vendas originadas pelas campanhas.

Não acompanhe dezenas de números.

Escolha entre três e cinco indicadores que realmente ajudem a entender o progresso.

5. Divida os 90 dias em três etapas

Uma meta trimestral pode ser dividida em três blocos de 30 dias.

Dias 1 a 30: estrutura e preparação

Nesse período, a empresa deve organizar a base necessária.

As ações podem incluir:

  • levantar os dados atuais;
  • definir responsáveis;
  • ajustar ferramentas;
  • criar campanhas;
  • treinar a equipe;
  • revisar processos;
  • preparar materiais;
  • corrigir problemas urgentes.

Dias 31 a 60: execução e testes

O segundo mês deve concentrar a maior parte das ações.

É o momento de colocar as estratégias em prática, testar abordagens e observar o comportamento dos indicadores.

A empresa deve analisar o que está funcionando e eliminar atividades que consomem tempo sem contribuir para o resultado.

Dias 61 a 90: otimização e fechamento

No último mês, o foco deve estar em acelerar o que apresentou resultados.

Também é importante resolver pendências, reforçar as estratégias mais eficientes e preparar a análise final do ciclo.

Essa divisão reduz a sensação de que a equipe possui três meses inteiros para começar.

6. Transforme a meta em um plano semanal

A meta de 90 dias precisa aparecer na agenda da empresa.

Para isso, transforme o objetivo trimestral em entregas semanais.

Suponha que a empresa queira conquistar 60 novos clientes em 90 dias.

Isso representa aproximadamente:

  • 20 novos clientes por mês;
  • cinco novos clientes por semana.

A empresa então precisa calcular quantas oportunidades são necessárias.

Se a taxa de conversão for de 20%, serão necessárias cerca de 25 oportunidades qualificadas por semana para fechar cinco vendas.

A partir disso, o plano pode incluir:

  • quantidade de contatos comerciais;
  • campanhas que serão publicadas;
  • conteúdos que serão produzidos;
  • reuniões de vendas;
  • propostas que precisam ser enviadas;
  • retornos para clientes antigos.

O planejamento deixa de ser abstrato e passa a fazer parte da rotina.

7. Defina um responsável para cada ação

Uma tarefa sem responsável geralmente fica parada.

Mesmo quando várias pessoas participam de um projeto, é necessário definir quem será responsável por acompanhar a entrega.

Cada atividade deve possuir:

  • responsável;
  • prazo;
  • resultado esperado;
  • status;
  • possíveis impedimentos.

O papel do responsável não é necessariamente fazer tudo sozinho.

Ele deve garantir que a ação avance, cobrar informações e comunicar problemas.

8. Realize reuniões semanais de acompanhamento

O acompanhamento não deve acontecer apenas no final dos 90 dias.

Faça uma reunião semanal curta, com duração aproximada de 20 a 40 minutos.

Durante o encontro, responda:

  1. Qual era o resultado esperado para esta semana?
  2. O que foi concluído?
  3. Quais indicadores avançaram?
  4. O que ficou atrasado?
  5. Qual é o principal impedimento?
  6. O que será feito na próxima semana?

Pesquisas e análises sobre gestão de metas destacam a importância do feedback frequente, da comunicação e do alinhamento entre os objetivos individuais e as prioridades do negócio.

A reunião não deve ser usada apenas para cobrança.

Ela deve ajudar a empresa a identificar dificuldades e tomar decisões mais rapidamente.

Exemplo de meta de 90 dias para uma pequena empresa

Imagine uma agência que fatura atualmente R$ 100 mil por mês e deseja atingir R$ 120 mil.

Meta principal

“Aumentar o faturamento mensal de R$ 100 mil para R$ 120 mil até o final de 90 dias.”

Indicadores

  • oportunidades geradas;
  • reuniões comerciais;
  • propostas enviadas;
  • taxa de conversão;
  • ticket médio;
  • faturamento fechado.

Plano de ação

  • reativar clientes antigos;
  • criar uma nova campanha;
  • melhorar a apresentação comercial;
  • estabelecer uma rotina de acompanhamento das propostas;
  • oferecer serviços complementares;
  • produzir conteúdos voltados às principais dores dos clientes.

Acompanhamento semanal

A equipe comercial atualiza os indicadores toda sexta-feira e define as prioridades da semana seguinte.

A meta deixa de ser apenas “vender mais” e passa a ter números, responsáveis e ações.

Como utilizar OKRs no planejamento de 90 dias

Outra metodologia que pode ser utilizada é o OKR, sigla para Objectives and Key Results, ou Objetivos e Resultados-Chave.

O objetivo descreve o que a empresa deseja conquistar. Os resultados-chave mostram como será possível comprovar o avanço.

Os OKRs são frequentemente estruturados em ciclos trimestrais, com resultados específicos, mensuráveis e limitados por prazo.

Um exemplo seria:

Objetivo

Fortalecer o processo comercial da empresa.

Resultados-chave

  • gerar 300 oportunidades qualificadas;
  • aumentar a conversão de 15% para 22%;
  • reduzir o tempo médio de fechamento de 30 para 22 dias;
  • alcançar R$ 120 mil em faturamento mensal.

O objetivo pode ser inspirador, mas os resultados-chave precisam conter números.

Erros comuns ao criar metas de 90 dias

Criar uma meta sem analisar os dados

Sem conhecer os números atuais, a empresa pode definir um resultado impossível ou pouco relevante.

Confundir meta com lista de tarefas

“Criar um site” é uma entrega. A meta deve explicar qual resultado o novo site deverá gerar.

Escolher muitas prioridades

Quanto maior o número de metas, menor tende a ser o foco.

Não envolver a equipe

Quando os responsáveis não entendem o motivo da meta, o plano pode ser visto apenas como uma cobrança adicional.

Acompanhar somente no final

Uma meta trimestral precisa ser revisada durante todo o ciclo.

Não ajustar o plano

A meta pode continuar a mesma, mas as ações podem ser modificadas quando os dados mostram que uma estratégia não está funcionando.

Desistir após uma semana ruim

Um ciclo de 90 dias terá semanas melhores e piores.

O importante é observar a tendência geral e manter a consistência.

Modelo simples para criar sua meta

Você pode utilizar a seguinte estrutura:

Situação atual

Onde a empresa está agora?

Meta para 90 dias

Qual resultado específico será alcançado?

Motivo

Por que esse resultado é importante?

Indicadores

Quais números serão acompanhados?

Plano de ação

Quais estratégias serão utilizadas?

Responsáveis

Quem acompanhará cada entrega?

Marcos de 30, 60 e 90 dias

O que deverá estar concluído em cada etapa?

Reunião de acompanhamento

Em qual dia e horário os resultados serão revisados?

O que fazer ao final dos 90 dias?

Ao terminar o ciclo, reúna a equipe e faça uma análise.

Avalie:

  • a meta foi alcançada?
  • quais estratégias funcionaram?
  • quais ações não trouxeram retorno?
  • quais obstáculos surgiram?
  • o que deveria ter sido feito antes?
  • quais aprendizados serão mantidos?
  • qual será a próxima prioridade?

Mesmo quando a meta não é atingida completamente, o ciclo pode gerar aprendizados importantes.

Por exemplo, a empresa pode ter alcançado 80% do resultado, melhorado seus processos e descoberto um canal de vendas mais eficiente.

O erro seria encerrar o ciclo sem registrar esses aprendizados.

Definir uma meta de 90 dias é uma forma prática de tirar os planos do papel e transformar uma intenção em ações mensuráveis.

Em vez de esperar o final do ano para avaliar os resultados, a empresa passa a trabalhar com ciclos mais curtos, acompanhamento frequente e prioridades mais claras.

O processo pode ser resumido em alguns passos:

  • analisar a situação atual;
  • escolher uma prioridade;
  • definir uma meta específica;
  • selecionar indicadores;
  • dividir o ciclo em etapas;
  • transformar a meta em ações semanais;
  • definir responsáveis;
  • acompanhar o progresso;
  • avaliar os aprendizados.

Você não precisa criar um planejamento complexo.

Comece com uma meta central que realmente possa melhorar o momento atual da empresa.

O mais importante não é escrever um objetivo bonito em uma planilha. É transformar esse objetivo em decisões, tarefas e hábitos que aconteçam durante os próximos 90 dias.

Quando a equipe sabe onde precisa chegar, quais números devem avançar e o que deve ser feito a cada semana, a empresa deixa de trabalhar apenas no modo de urgência e começa a agir com mais estratégia.

28/07/2026 0 comentários
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Estratégia Empresarial

Primeiros Passos no Marketing Digital: Estratégias que Funcionam

por Thais Cristina 27/07/2026
escrito por Thais Cristina
Como Começar no Marketing Digital Mesmo Sem Experiência

Começar no marketing digital pode parecer complicado, principalmente quando você encontra termos como tráfego pago, funil de vendas, SEO, leads, remarketing, conversão e algoritmo.

Mas a verdade é que você não precisa dominar tudo isso logo no início.

O marketing digital é um conjunto de estratégias utilizadas para divulgar marcas, produtos e serviços por meio da internet. Ele pode ser aplicado por grandes empresas, pequenos negócios, profissionais autônomos, lojas virtuais e até por quem está começando a empreender agora.

Em 2026, estar presente no ambiente digital deixou de ser apenas uma oportunidade e passou a ser uma necessidade para praticamente qualquer empresa.

Segundo a pesquisa TIC Domicílios 2024, 46% dos usuários de internet no Brasil compraram produtos ou serviços online nos 12 meses anteriores ao levantamento. Isso representa aproximadamente 73 milhões de pessoas. Além disso, entre os usuários que venderam pela internet, 73% utilizaram as redes sociais para divulgar ou comercializar seus produtos.

Esses números mostram que os consumidores já estão pesquisando, comparando, conversando com empresas e tomando decisões de compra pela internet.

Neste guia, você vai entender como começar no marketing digital do zero, quais estratégias utilizar e como criar uma presença digital que realmente ajude o seu negócio a crescer.

O que é marketing digital?

Marketing digital é o conjunto de ações realizadas nos canais digitais para atrair pessoas, construir relacionamento, divulgar uma marca e gerar vendas.

Essas ações podem acontecer em diferentes ambientes, como:

  • Instagram;
  • TikTok;
  • Facebook;
  • YouTube;
  • Google;
  • WhatsApp;
  • blogs;
  • sites;
  • lojas virtuais;
  • marketplaces;
  • e-mail marketing.

Imagine, por exemplo, uma pequena loja de roupas.

Ela pode publicar vídeos no Instagram, criar conteúdos no TikTok, aparecer nas buscas do Google, enviar promoções pelo WhatsApp e direcionar os clientes para sua loja virtual.

Todas essas ações fazem parte do marketing digital.

A grande vantagem é que os resultados podem ser acompanhados com mais facilidade. É possível saber quantas pessoas visualizaram uma publicação, clicaram em um anúncio, acessaram o site, adicionaram produtos ao carrinho ou finalizaram uma compra.

Por que investir em marketing digital?

Os consumidores estão cada vez mais conectados.

Antes de comprar, muitas pessoas pesquisam preços, procuram avaliações, assistem a vídeos, acessam as redes sociais da empresa e verificam se o site transmite confiança.

Por isso, um negócio que não possui uma boa presença digital pode perder espaço para concorrentes que aparecem com mais frequência e passam mais credibilidade.

A publicidade digital também movimenta valores cada vez maiores no país. De acordo com o estudo Digital AdSpend, o investimento em publicidade digital no Brasil chegou a R$ 37,9 bilhões em 2024, registrando crescimento de 8% em comparação com 2023.

Mais da metade desse investimento foi direcionada às plataformas de redes sociais, enquanto os vídeos representaram mais de 40% do valor investido em mídia digital.

Isso não significa que uma pequena empresa precise investir milhares de reais.

O dado mostra, principalmente, que as empresas estão direcionando cada vez mais atenção para os canais digitais porque é nesses espaços que uma grande parte dos consumidores está.

Como começar no marketing digital do zero

Para começar, você não precisa estar em todas as redes sociais nem utilizar todas as ferramentas disponíveis.

O mais importante é construir uma base organizada.

1. Defina um objetivo claro

Antes de produzir conteúdos ou investir em anúncios, determine o que você deseja alcançar.

Seu objetivo pode ser:

  • aumentar as vendas;
  • receber mais pedidos pelo WhatsApp;
  • gerar visitas para uma loja virtual;
  • divulgar uma empresa local;
  • conquistar seguidores;
  • fortalecer a autoridade da marca;
  • captar contatos de possíveis clientes;
  • divulgar um novo produto ou serviço.

Evite utilizar objetivos muito genéricos, como “quero crescer na internet”.

Transforme essa intenção em uma meta mais clara.

Por exemplo:

“Quero gerar 50 novos contatos pelo WhatsApp nos próximos 30 dias.”

Ou:

“Quero aumentar em 20% o número de visitas na minha loja virtual durante os próximos três meses.”

Ter uma meta ajuda a escolher as estratégias certas e analisar se o trabalho está gerando resultados.

2. Conheça o seu público

Um dos erros mais comuns no marketing digital é tentar conversar com todo mundo.

Quando uma empresa tenta alcançar todas as pessoas, a comunicação acaba ficando genérica e pouco convincente.

Procure entender quem é o seu cliente ideal.

Analise informações como:

  • idade aproximada;
  • localização;
  • profissão;
  • interesses;
  • dificuldades;
  • objetivos;
  • hábitos de compra;
  • redes sociais que utiliza;
  • fatores que influenciam sua decisão.

Imagine uma empresa que vende sistemas para lojas virtuais.

Seu público pode ser formado por lojistas que possuem dificuldade para organizar pedidos, estoque e financeiro. Nesse caso, os conteúdos podem explicar como evitar erros de gestão, automatizar tarefas e melhorar a operação do e-commerce.

Quanto melhor você entende as dúvidas do público, mais fácil fica produzir conteúdos úteis.

3. Escolha os canais certos

Você não precisa começar no Instagram, TikTok, YouTube, Pinterest, Facebook, LinkedIn e Google ao mesmo tempo.

Escolha os canais com base no comportamento do seu público e na sua capacidade de produzir conteúdo.

Para negócios que dependem de imagens, demonstrações ou vídeos rápidos, Instagram e TikTok podem ser boas opções.

Para empresas que vendem serviços para outras empresas, LinkedIn, Google e e-mail marketing podem ser interessantes.

Já o WhatsApp pode ser utilizado para atendimento, relacionamento, recuperação de clientes e fechamento de vendas.

O relatório comercial sobre o comércio eletrônico brasileiro publicado pela International Trade Administration destaca a força das principais plataformas digitais no país. Dados referentes a 2025 indicavam 169 milhões de usuários no WhatsApp, 142 milhões no YouTube e 113 milhões no Instagram.

O ideal é começar com um ou dois canais, criar consistência e ampliar a presença aos poucos.

4. Organize o seu posicionamento

Posicionamento é a maneira como você deseja que a sua marca seja percebida.

Pergunte:

  • Qual problema minha empresa resolve?
  • Por que um cliente deveria comprar comigo?
  • Qual é o meu diferencial?
  • Que tipo de experiência desejo oferecer?
  • Como quero ser lembrado?

Uma empresa pode se posicionar pela praticidade, preço, atendimento, especialização, exclusividade, rapidez ou qualidade.

Esse posicionamento deve aparecer nos conteúdos, no atendimento, no site, nas imagens e nas ofertas.

A comunicação visual também influencia a confiança do consumidor. Um site desorganizado, lento ou com aparência pouco profissional pode afastar visitantes, mesmo quando o produto é bom.

Para aprofundar esse assunto, leia também o artigo A aparência da sua loja virtual está afastando clientes?.

5. Crie conteúdo que ajude o público

Produzir conteúdo não significa apenas publicar ofertas.

As pessoas dificilmente entram nas redes sociais com o objetivo principal de assistir a propagandas. Elas procuram informação, entretenimento, inspiração, soluções e identificação.

Uma estratégia de conteúdo equilibrada pode incluir:

  • dicas práticas;
  • respostas para dúvidas frequentes;
  • demonstrações de produtos;
  • comparações;
  • bastidores da empresa;
  • histórias de clientes;
  • erros comuns;
  • tutoriais;
  • tendências do mercado;
  • ofertas e lançamentos.

Uma loja de cosméticos, por exemplo, pode criar conteúdos sobre cuidados com a pele, maneiras de utilizar os produtos, diferenças entre ativos e erros que prejudicam os resultados.

Uma empresa de serviços pode mostrar etapas do trabalho, resultados alcançados, desafios resolvidos e explicações sobre o mercado.

O conteúdo deve conduzir o público por diferentes momentos da decisão de compra.

Algumas pessoas ainda estão descobrindo que possuem um problema. Outras já conhecem possíveis soluções. Também existem aquelas que estão prontas para comprar e precisam apenas de segurança para escolher uma empresa.

6. Utilize o SEO para aparecer no Google

SEO é o conjunto de técnicas utilizadas para melhorar a visibilidade de páginas e conteúdos nos mecanismos de busca.

Quando uma pessoa pesquisa no Google “como começar no marketing digital”, por exemplo, o buscador apresenta conteúdos que considera relevantes para aquela dúvida.

Para trabalhar o SEO, procure:

  • escolher uma palavra-chave principal;
  • responder de maneira completa à dúvida do usuário;
  • utilizar títulos e subtítulos claros;
  • produzir conteúdo original;
  • melhorar a velocidade do site;
  • adicionar links internos;
  • escrever uma meta description atrativa;
  • otimizar as imagens;
  • manter o conteúdo atualizado.

O SEO costuma gerar resultados de médio e longo prazo, mas possui uma grande vantagem: um artigo bem posicionado pode continuar recebendo visitas durante meses ou anos.

Além disso, os conteúdos do blog podem direcionar leitores para páginas de produtos, serviços, materiais gratuitos ou canais de atendimento.

No Dia de CEO, você também pode acompanhar conteúdos sobre Marketing Digital e estratégias de E-commerce e Vendas Online.

7. Considere investir em tráfego pago

O tráfego pago é utilizado para alcançar pessoas por meio de anúncios.

Entre as plataformas mais conhecidas estão:

  • Google Ads;
  • Meta Ads;
  • TikTok Ads;
  • Pinterest Ads;
  • LinkedIn Ads;
  • Mercado Ads.

A principal vantagem é a possibilidade de segmentar o público de acordo com interesses, localização, idade, comportamento e intenção de compra.

No entanto, anunciar sem planejamento pode consumir o orçamento sem gerar resultados.

Antes de investir, é importante definir:

  • objetivo da campanha;
  • público;
  • oferta;
  • orçamento;
  • página de destino;
  • criativo;
  • indicador de sucesso.

Quem está começando pode testar um orçamento menor, analisar os resultados e aumentar o investimento gradualmente.

Não utilize apenas curtidas como indicador. Dependendo do objetivo, acompanhe cliques, mensagens recebidas, cadastros, pedidos, custo por aquisição e retorno sobre o investimento.

8. Crie uma estrutura para receber os clientes

Não adianta atrair pessoas se a empresa não estiver preparada para atendê-las.

Antes de aumentar a divulgação, verifique se o seu negócio possui:

  • informações claras;
  • atendimento organizado;
  • site responsivo;
  • formas de pagamento confiáveis;
  • descrição completa dos produtos;
  • política de entrega;
  • depoimentos ou avaliações;
  • canais de contato;
  • processo de pós-venda.

No caso de uma loja virtual, o cliente precisa conseguir encontrar o produto, entender as condições, confiar na empresa e concluir a compra sem dificuldades.

Para quem vende online, também vale conferir o conteúdo Como aproveitar o Dia dos Pais no e-commerce e vender mais em 2026, que apresenta exemplos de planejamento, campanhas, comunicação e experiência de compra.

9. Construa uma lista de contatos

As redes sociais são importantes, mas a empresa não controla totalmente o alcance das publicações.

Por isso, é interessante construir uma base própria de contatos.

Essa lista pode ser formada por:

  • clientes;
  • pessoas cadastradas no site;
  • leads;
  • assinantes da newsletter;
  • contatos autorizados no WhatsApp;
  • pessoas que baixaram um material gratuito.

Com essa base, a empresa pode enviar novidades, conteúdos, ofertas e lembretes.

É importante respeitar a privacidade e enviar mensagens apenas para pessoas que autorizaram o contato. Também é necessário observar as regras da Lei Geral de Proteção de Dados, a LGPD.

10. Acompanhe os resultados

O marketing digital precisa ser analisado.

Você não deve continuar publicando ou anunciando apenas porque “sempre fez assim”.

Algumas métricas importantes são:

  • alcance;
  • visualizações;
  • engajamento;
  • cliques;
  • visitas no site;
  • mensagens recebidas;
  • leads gerados;
  • taxa de conversão;
  • vendas;
  • custo por aquisição;
  • retorno sobre investimento.

Imagine que um vídeo alcançou 50 mil pessoas, mas não gerou nenhuma visita ao site. Outro vídeo teve apenas 5 mil visualizações, mas trouxe 20 pedidos.

Dependendo do objetivo, o segundo conteúdo foi mais eficiente.

As métricas precisam ser analisadas de acordo com a meta definida no início da estratégia.

Estratégia simples de marketing digital para iniciantes

Uma pessoa que está começando pode seguir este plano:

Primeira semana: preparação

Defina o público, o objetivo, o posicionamento e os canais que serão utilizados.

Também organize a identidade visual, as informações da empresa e os canais de atendimento.

Segunda semana: produção

Crie conteúdos educativos, institucionais, de relacionamento e de vendas.

Prepare pelo menos duas semanas de publicações para evitar a produção de última hora.

Terceira semana: divulgação

Publique os conteúdos, compartilhe nos canais de atendimento e interaja com o público.

Responda aos comentários, mensagens e dúvidas.

Quarta semana: análise

Avalie quais conteúdos tiveram mais alcance, cliques, mensagens e vendas.

Utilize essas informações para planejar o próximo mês.

Principais erros de quem começa no marketing digital

Entre os erros mais comuns estão:

  • tentar utilizar todas as redes sociais;
  • publicar apenas promoções;
  • copiar os concorrentes;
  • comprar seguidores;
  • não conhecer o público;
  • investir em anúncios sem planejamento;
  • abandonar a estratégia rapidamente;
  • não acompanhar as métricas;
  • esperar resultados imediatos;
  • mudar de posicionamento toda semana.

O marketing digital exige testes e consistência.

Nem todo conteúdo vai viralizar. Nem todo anúncio vai gerar vendas. Nem toda estratégia funcionará da mesma maneira para empresas diferentes.

O crescimento acontece quando a marca observa os resultados, aprende com os erros e melhora continuamente.

Ferramentas úteis para começar

Algumas ferramentas podem facilitar a rotina:

  • Canva, para criação de imagens;
  • CapCut, para edição de vídeos;
  • Google Trends, para acompanhar buscas;
  • Google Analytics, para analisar o site;
  • Google Search Console, para acompanhar o desempenho no Google;
  • Meta Business Suite, para administrar Instagram e Facebook;
  • plataformas de e-mail marketing;
  • ferramentas de organização, como Trello e Notion;
  • inteligência artificial para apoiar pesquisas, ideias e rascunhos.

Em 2025, a inteligência artificial generativa já era utilizada por aproximadamente 32% dos usuários de internet no Brasil, o equivalente a cerca de 50 milhões de pessoas.

Mesmo assim, a tecnologia deve ser utilizada como apoio. É importante revisar os conteúdos, verificar informações e manter a personalidade da marca.

Quanto custa começar no marketing digital?

É possível começar utilizando ferramentas gratuitas e produção própria.

Entretanto, conforme o negócio cresce, pode ser necessário investir em:

  • domínio e hospedagem;
  • criação de site;
  • loja virtual;
  • ferramentas de automação;
  • anúncios;
  • produção audiovisual;
  • identidade visual;
  • profissionais ou agências especializadas.

Não existe um valor único que funcione para todas as empresas.

O ideal é começar com um orçamento que não comprometa a operação, testar as estratégias e aumentar o investimento conforme os resultados aparecem.

Começar no marketing digital do zero não significa aprender todas as ferramentas de uma vez.

O primeiro passo é definir um objetivo, conhecer o público, escolher os canais adequados e produzir conteúdos que realmente ajudem as pessoas.

Depois, a empresa pode ampliar a estratégia com SEO, anúncios, e-mail marketing, automação, vídeos e análise de dados.

Em 2026, os negócios que conseguem unir conteúdo útil, atendimento de qualidade, presença digital e uma boa experiência de compra têm mais oportunidades de conquistar clientes e construir uma marca forte.

O mais importante é começar.

Crie uma estratégia simples, publique com consistência, acompanhe os resultados e faça melhorias ao longo do caminho.

O marketing digital não é uma ação isolada. Ele é um processo contínuo de comunicação, relacionamento, aprendizado e vendas.

27/07/2026 0 comentários
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E-commerce e Vendas OnlineFerramentas e Tecnologia

Marketplace: o que é, como funciona e quanto custa vender

por Thais Cristina 27/07/2026
escrito por Thais Cristina
Vender em marketplace compensa? Veja vantagens, desvantagens e custos

Quem está pesquisando maneiras de vender pela internet provavelmente já encontrou a palavra marketplace. Mercado Livre, Amazon, Shopee e Magazine Luiza são alguns dos exemplos mais conhecidos no Brasil.

Essas plataformas recebem milhões de consumidores interessados em comparar produtos, preços, prazos de entrega e avaliações antes de finalizar uma compra. Para os lojistas, isso representa uma oportunidade de colocar os produtos diante de um público que já está preparado para comprar.

Por outro lado, vender em um marketplace envolve regras, comissões, custos logísticos e uma concorrência bastante elevada.

Por isso, antes de cadastrar os produtos em diferentes canais, é importante entender o que é marketplace, como funciona, quais taxas podem ser cobradas e se realmente vale a pena para o seu negócio.

Neste artigo, você encontrará uma explicação completa e fácil sobre o assunto.

O que é marketplace?

Marketplace é uma plataforma de vendas online que reúne produtos de diferentes vendedores em um mesmo site ou aplicativo.

Podemos comparar esse modelo a um shopping center. O shopping oferece a estrutura, os corredores, a segurança e o fluxo de consumidores. Dentro dele, várias lojas apresentam seus produtos e disputam a atenção dos visitantes.

No marketplace acontece algo semelhante.

A empresa responsável pela plataforma disponibiliza a tecnologia, recebe os consumidores, processa os pagamentos e pode oferecer soluções de entrega, publicidade e atendimento. Os vendedores utilizam essa estrutura para anunciar seus produtos.

Quando uma pessoa entra no Mercado Livre, por exemplo, encontra milhares de itens oferecidos por diferentes empresas e vendedores. Mesmo comprando produtos de lojas distintas, toda a experiência acontece dentro do ambiente da plataforma.

Em troca dessa visibilidade e estrutura, o marketplace geralmente cobra uma comissão sobre cada venda realizada.

Qual é a diferença entre marketplace e loja virtual?

Apesar de estarem relacionados ao comércio eletrônico, marketplace e loja virtual não são a mesma coisa.

Em uma loja virtual própria, o empreendedor possui um site exclusivo para sua empresa. Ele controla o layout, o domínio, as páginas, as promoções, os dados dos clientes e toda a experiência de compra.

Já no marketplace, o lojista vende dentro de uma plataforma pertencente a outra empresa.

Na loja própria, o cliente entra em um endereço como: www.sualoja.com.br

No marketplace, ele acessa o site da plataforma e encontra a sua empresa entre vários outros vendedores.

A loja virtual oferece mais liberdade para construir uma marca e manter um relacionamento direto com os consumidores. Porém, o lojista precisa investir em divulgação para atrair visitantes.

O marketplace já possui um grande fluxo de pessoas, mas limita algumas possibilidades de personalização e relacionamento.

Por esse motivo, uma estratégia não precisa substituir a outra. Muitas empresas mantêm uma loja virtual própria e, ao mesmo tempo, utilizam marketplaces para alcançar novos consumidores.

Como funciona um marketplace?

O funcionamento pode apresentar diferenças entre as plataformas, mas normalmente segue algumas etapas.

Primeiro, o empreendedor cria uma conta de vendedor e envia os documentos solicitados. Dependendo do marketplace, pode ser permitido vender com CPF, CNPJ ou apenas como empresa.

Depois da aprovação do cadastro, o vendedor cria os anúncios dos produtos. É necessário informar título, descrição, imagens, preço, estoque, medidas, peso e outras características.

Quando um cliente faz um pedido, o marketplace processa o pagamento e comunica o vendedor.

O lojista prepara o produto, emite a nota fiscal quando necessário e realiza o envio conforme as regras da plataforma. Em alguns casos, a própria empresa responsável pelo marketplace pode armazenar e despachar as mercadorias.

Após a confirmação da venda e o cumprimento dos prazos estabelecidos, o valor é disponibilizado ao vendedor, descontando as comissões e demais cobranças.

O desempenho da loja costuma ser acompanhado por indicadores como:

  • Prazo de envio;
  • Número de cancelamentos;
  • Reclamações;
  • Avaliações dos compradores;
  • Taxa de resposta;
  • Quantidade de devoluções;
  • Qualidade dos anúncios;
  • Disponibilidade de estoque.

Uma operação mal organizada pode perder visibilidade, receber punições ou até ser suspensa da plataforma.

Exemplos de marketplaces no Brasil

Existem marketplaces generalistas, que vendem praticamente todos os tipos de produtos, e plataformas especializadas em determinados segmentos.

Mercado Livre

O Mercado Livre é uma das principais referências de marketplace no Brasil e na América Latina.

A plataforma reúne produtos de tecnologia, moda, beleza, casa, decoração, ferramentas, produtos automotivos, brinquedos, alimentos e diversas outras categorias.

Entre suas soluções estão o Mercado Pago, os anúncios patrocinados e as diferentes modalidades do Mercado Envios. O serviço Mercado Envios Full permite que o vendedor envie o estoque para os centros de distribuição da empresa, que assume etapas como armazenamento, separação e despacho dos pedidos. Segundo o Mercado Livre, anúncios que utilizam o Full podem obter mais visitas e oferecer entregas mais rápidas.

Amazon

A Amazon permite o cadastro de vendedores com CPF ou CNPJ e oferece planos e soluções logísticas diferentes. Além de vender diretamente, o lojista pode utilizar o FBA, modalidade na qual os produtos ficam armazenados nos centros de distribuição da Amazon.

A empresa informa que suas comissões no Brasil normalmente ficam entre 10% e 15%, dependendo da categoria. No Plano Profissional, não há cobrança de tarifa fixa por item vendido, embora possam existir mensalidade e outros custos relacionados à logística e aos serviços escolhidos.

Shopee

A Shopee ganhou espaço no Brasil principalmente por meio de campanhas promocionais, cupons, ofertas de frete e forte presença em aplicativos móveis.

A plataforma permite anunciar diferentes tipos de produtos e oferece recursos de publicidade para vendedores. Segundo a própria Shopee, os anúncios pagos podem ser configurados com metas de retorno sobre investimento para ampliar a exposição dos produtos.

As cobranças podem incluir comissão, taxa por pedido, participação em programas de frete e serviços adicionais. Como essas condições são alteradas periodicamente e podem variar por campanha, o vendedor deve conferir os valores atualizados dentro da Central do Vendedor antes de definir seus preços.

Magalu Marketplace

O Marketplace do Magazine Luiza permite anunciar produtos em diferentes marcas do grupo, como Magalu, Netshoes, KaBuM!, Zattini, Época Cosméticos e Estante Virtual, dependendo do segmento e das condições comerciais.

Segundo o Universo Magalu, não há mensalidade ou taxa de adesão para utilizar o marketplace. A empresa cobra comissão sobre as vendas e um custo fixo por pedido. Para vender na plataforma, é necessário possuir CNPJ ativo e emitir nota fiscal eletrônica.

Em julho de 2026, a plataforma divulgava uma comissão promocional de 9,9% para novos cadastros, válida por três meses ou até o vendedor alcançar R$ 100 mil em vendas, dentro das condições da campanha.

Quais taxas um marketplace pode cobrar?

A comissão sobre a venda é apenas um dos custos que devem ser considerados.

Cada plataforma possui sua própria política, mas as cobranças mais comuns são:

Comissão por venda

É um percentual descontado do valor do produto. A porcentagem pode variar de acordo com a categoria, o tipo de anúncio e os benefícios oferecidos.

No Mercado Livre, por exemplo, a tarifa dos anúncios Clássicos pode variar aproximadamente entre 10% e 14% do valor da venda. Os anúncios Premium possuem custos maiores porque oferecem benefícios como parcelamento sem juros para o comprador.

Na Amazon Brasil, as comissões divulgadas normalmente variam de 10% a 15%, conforme a categoria.

Tarifa fixa por item ou pedido

Alguns marketplaces cobram uma tarifa fixa, principalmente em produtos de menor valor. Essa cobrança é somada à comissão percentual.

Um produto barato pode deixar de ser lucrativo quando existe uma tarifa fixa elevada em relação ao preço de venda.

Custos de frete

Mesmo quando o anúncio apresenta “frete grátis” para o consumidor, isso não significa que a entrega não possui custo.

O valor pode ser pago totalmente pelo vendedor, dividido com o marketplace ou subsidiado dentro de uma campanha.

No Mercado Livre, as regras de contribuição para o frete variam conforme o preço do produto, a reputação do vendedor e a modalidade de envio. A empresa informou mudanças para oferecer frete grátis ao consumidor em compras a partir de R$ 19, com diferentes níveis de participação nos custos.

Taxas logísticas

Ao utilizar serviços como Mercado Envios Full ou Amazon FBA, podem existir cobranças por armazenamento, separação, embalagem, coleta, envio e retirada do estoque.

Na Amazon, as tarifas logísticas variam conforme o preço, o peso, as dimensões e a modalidade do produto. A empresa mantém tabelas específicas para mercadorias de diferentes faixas de preço.

Publicidade

Os anúncios patrocinados são opcionais, mas podem se tornar importantes em categorias concorridas.

O vendedor estabelece um orçamento para aumentar a exposição dos produtos. Nesse caso, o custo da publicidade precisa ser incluído no cálculo da margem.

Antecipação de recebíveis

O consumidor pode pagar parcelado, enquanto o vendedor recebe conforme as condições da plataforma. Caso queira antecipar o dinheiro, pode existir uma taxa adicional.

Impostos

As comissões do marketplace não substituem os impostos da empresa.

O vendedor ainda precisa considerar o regime tributário, a emissão de notas fiscais e os tributos relacionados às vendas. Um contador deve avaliar o enquadramento mais adequado para cada negócio.

Exemplo de cálculo de uma venda

Imagine um produto vendido por R$ 100,00.

Considere o seguinte cenário hipotético:

  • Custo do produto: R$ 40,00;
  • Comissão do marketplace: R$ 14,00;
  • Tarifa fixa: R$ 6,00;
  • Participação no frete: R$ 8,00;
  • Impostos: R$ 6,00;
  • Embalagem: R$ 2,00;
  • Publicidade: R$ 5,00.

Depois de descontar os custos, sobrariam R$ 19,00.

Isso não significa necessariamente que o lucro final será de R$ 19,00. Ainda podem existir despesas com funcionários, sistemas, devoluções, armazenamento e operação administrativa.

Esse exemplo demonstra por que não basta olhar apenas para o preço de compra e o valor da venda.

Quais são as vantagens de vender em marketplaces?

Uma das maiores vantagens é o acesso a um público que já conhece e confia na plataforma.

Para uma loja nova, conquistar visitantes pode exigir meses de conteúdo, anúncios e construção de marca. No marketplace, os consumidores já estão pesquisando produtos e comparando ofertas.

Outros benefícios incluem:

  • Estrutura pronta para cadastrar produtos;
  • Processamento de pagamentos;
  • Ferramentas de segurança;
  • Soluções de entrega;
  • Possibilidade de parcelamento;
  • Sistemas de avaliações;
  • Acesso a relatórios;
  • Oportunidade de vender para outras regiões;
  • Menor investimento inicial em tecnologia;
  • Campanhas realizadas pela própria plataforma.

Para pequenos negócios, o marketplace também pode funcionar como um canal de teste. O empreendedor pode avaliar a procura por um produto antes de investir em uma operação maior.

Quais são as desvantagens?

A principal desvantagem é a dependência de uma plataforma controlada por outra empresa.

As regras, taxas e condições podem mudar. O vendedor precisa se adaptar e não possui controle total sobre a experiência do consumidor.

Além disso, existe uma grande comparação de preços. Em muitos casos, produtos semelhantes aparecem lado a lado, o que pode iniciar uma disputa pelo menor valor.

Outros desafios são:

  • Comissões que reduzem a margem;
  • Concorrência elevada;
  • Dificuldade para destacar a marca;
  • Pouco acesso aos dados dos clientes;
  • Risco de bloqueio da conta;
  • Necessidade de cumprir prazos rígidos;
  • Custos com devoluções;
  • Pressão para oferecer frete rápido;
  • Dependência da reputação;
  • Investimento crescente em anúncios.

Por isso, concentrar 100% das vendas em apenas um marketplace pode ser arriscado.

Vale a pena vender em marketplace?

Na maioria dos casos, sim, pode valer a pena, desde que o negócio tenha planejamento financeiro, produtos adequados e uma operação organizada.

O marketplace pode ser especialmente interessante para quem deseja:

  • Começar a vender online;
  • Alcançar clientes de outras regiões;
  • Testar novos produtos;
  • Aumentar o volume de pedidos;
  • Aproveitar estruturas logísticas prontas;
  • Diversificar os canais de venda.

Entretanto, nem todo produto funciona bem nesse modelo.

Mercadorias com margens muito baixas podem se tornar inviáveis depois das comissões, tarifas e custos de frete. Produtos muito grandes, frágeis ou difíceis de transportar também exigem atenção.

Antes de começar, faça uma simulação realista de cada venda. Não copie apenas o preço dos concorrentes, pois eles podem possuir custos, fornecedores e condições comerciais diferentes.

Marketplace ou loja virtual própria?

A melhor estratégia geralmente é não depender exclusivamente de um único canal.

O marketplace pode ajudar a gerar volume e alcançar consumidores novos. A loja virtual própria pode fortalecer a marca, aumentar a liberdade comercial e construir um relacionamento mais próximo com os clientes.

Uma operação multicanal pode vender:

  • Na loja virtual própria;
  • No Mercado Livre;
  • Na Amazon;
  • Na Shopee;
  • No Magalu;
  • Nas redes sociais;
  • Pelo WhatsApp;
  • Em pontos físicos.

Para isso, é importante utilizar um sistema integrado para controlar pedidos, preços e estoque. Sem integração, existe o risco de vender um produto que já acabou ou cadastrar informações diferentes em cada canal.

Como começar a vender em marketplaces?

Comece selecionando uma ou duas plataformas compatíveis com o seu produto e com a estrutura da empresa.

Depois:

  1. Analise as regras e os documentos necessários;
  2. Consulte as taxas da categoria;
  3. Calcule a margem de lucro;
  4. Escolha produtos com boa procura;
  5. Produza fotografias profissionais;
  6. Crie títulos claros e completos;
  7. Escreva descrições que respondam às dúvidas;
  8. Organize o estoque;
  9. Defina um processo rápido de separação e envio;
  10. Acompanhe avaliações, reclamações e devoluções.

Também evite colocar todo o estoque em um produto sem antes testar sua aceitação.

Comece com quantidades menores, acompanhe as vendas e amplie o investimento conforme os resultados.

Marketplace é uma plataforma que reúne diferentes vendedores e produtos em um único ambiente de compra.

Para os consumidores, esse modelo oferece praticidade, comparação de preços, avaliações e diversas opções de entrega. Para os vendedores, representa acesso a um público maior e a uma estrutura pronta de pagamentos, tecnologia e logística.

Porém, essa facilidade possui custos.

Comissões, tarifas fixas, frete, armazenamento, publicidade e impostos precisam ser considerados na formação do preço. Vender bastante sem controlar esses números pode gerar faturamento alto e pouco lucro.

Portanto, vale a pena vender em marketplace quando a empresa possui margem saudável, produtos competitivos, estoque organizado e capacidade para cumprir os prazos.

O ideal é enxergar essas plataformas como parte de uma estratégia mais ampla. Utilize os marketplaces para ganhar visibilidade e conquistar novos compradores, mas também invista na construção da sua marca, na loja virtual própria e em canais que ofereçam maior controle sobre o relacionamento com o cliente.

Assim, o seu negócio não fica dependente de apenas uma plataforma e estará mais preparado para crescer de maneira sustentável no comércio eletrônico.

27/07/2026 0 comentários
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SOBRE MIM

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Thaís Cristina

31 anos, canceriana, mãe, esposa e mais mil coisas. CEO e cofundadora da DevRocket, uma agência especializada em marketing, tecnologia e soluções para e-commerce, tenho formação em Análise e Desenvolvimento de Sistemas e MBA em Marketing Digital, unindo visão estratégica, experiência prática e olhar empreendedor para ajudar negócios a crescerem no digital.

À frente do blog Dia de CEO, compartilho aqui, conteúdos sobre marketing, estratégia, vendas, gestão e bastidores reais do empreendedorismo, com uma linguagem simples, direta e aplicada à rotina de quem vive os desafios de empreender todos os dias.

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