Um dia real na rotina de uma mãe, esposa e CEO: entre família, empresa e a vida que acontece no meio

por Thais Cristina
Mãe, Esposa e CEO: Como é Minha Rotina Real Entre Família e Empresa

Ser mãe, esposa e CEO parece bonito quando resumimos tudo em uma bio do Instagram.

Na prática, significa começar o dia sabendo que existem pessoas esperando decisões suas em lugares completamente diferentes da sua vida. De um lado, existe uma empresa, clientes, equipe, reuniões, financeiro, planejamento e problemas que nem sempre estavam na agenda. Do outro, existe uma casa, um casamento, uma filha, compromissos familiares e uma vida pessoal que também precisa de espaço.

E no meio disso tudo, existe uma mulher.

Uma mulher que também precisa dormir, cuidar da saúde, almoçar com calma de vez em quando, fazer exercício, encontrar amigas, assistir alguma coisa sem pensar no trabalho e simplesmente não produzir nada por algumas horas.

Por isso, este não é um artigo sobre a “rotina perfeita de uma CEO”.

É sobre a minha rotina possível.

Sobre os dias que funcionam, aqueles que saem completamente do planejamento e, principalmente, sobre uma coisa que precisei aprender ao longo do caminho: conciliar maternidade, casamento e empresa não significa conseguir fazer tudo todos os dias.

Minha rotina não começa quando chego na empresa

Antes de ser CEO, meu dia já começou.

Existe a rotina de casa.

Existe minha filha.

Existem aquelas pequenas coisas que parecem ocupar cinco minutos, mas que, quando somadas, fazem parte de uma parcela enorme da vida de qualquer mãe.

Roupa.

Café.

Bolsa.

Horários.

  • “Cadê aquilo?”
  • “Você viu isso?”
  • “Mãe!”

Quem tem filho sabe. 😂

E talvez uma das maiores diferenças entre minha rotina atual e a de alguns anos atrás seja justamente essa: eu não consigo pensar apenas na minha agenda.

Ser mãe adiciona uma variável permanente ao planejamento.

Você pode ter uma reunião importante às 9h, mas uma criança não consulta o Google Agenda antes de ficar doente.

Você pode planejar sair cedo, mas naquela manhã tudo demora.

Pode organizar uma semana perfeita e, na terça-feira, precisar reorganizar metade dela.

Isso não significa falta de organização.

Significa vida real.

Quando começa meu dia como CEO?

Quando entro no modo empresa, minha cabeça muda rapidamente.

Existem tarefas que precisam ser executadas, mas grande parte do trabalho de uma CEO não está necessariamente em “fazer”.

Está em decidir.

Decidir prioridades.

Decidir investimentos.

Decidir contratações.

Resolver problemas.

Analisar resultados.

Conversar com pessoas.

Aprovar projetos.

Pensar no futuro.

Identificar o que não está funcionando.

E uma das coisas que mais aprendi empreendendo é que liderar uma empresa exige energia mental.

Existem dias em que você termina cansada sem conseguir apontar exatamente “o que produziu”.

Mas tomou 20 decisões.

Resolveu três problemas.

Orientou alguém.

Revisou um processo.

Pensou em uma estratégia.

Conversou com um cliente.

E evitou que alguma coisa desse errado.

Isso também é trabalho.

A primeira coisa que tento entender: o que realmente importa hoje?

Durante muito tempo, produtividade para mim poderia facilmente virar uma lista gigantesca.

Quanto mais itens riscados, melhor.

Hoje vejo de maneira diferente.

Existem tarefas que ocupam duas horas e quase não mudam nada.

E existem decisões de 15 minutos que podem mudar completamente o rumo de um projeto.

Por isso, tento identificar: Quais são as coisas que realmente precisam da minha atenção hoje?

Nem tudo precisa passar pela CEO.

Na verdade, quanto mais uma empresa cresce, menos saudável é depender da CEO para cada pequena decisão.

Isso exige delegação.

E delegar parece maravilhoso quando alguém fala sobre isso em um livro.

Na prática, exige confiança.

Você precisa aceitar que outra pessoa talvez execute algo de maneira diferente da sua.

Precisa criar processos.

Orientar.

Dar autonomia.

E, principalmente, resistir à vontade de assumir tudo novamente quando algo demora cinco minutos a mais do que você gostaria. 😂

Ser CEO não significa trabalhar 24 horas

Esse é um pensamento que considero importante compartilhar, principalmente com outras mulheres que estão começando a empreender.

Existe uma romantização perigosa da empreendedora que:

  • acorda às 5h;
  • treina;
  • medita;
  • lê 30 páginas;
  • faz skincare;
  • leva os filhos;
  • participa de dez reuniões;
  • fecha contratos;
  • faz networking;
  • prepara jantar;
  • coloca os filhos para dormir;
  • e ainda estuda até meia-noite.

No dia seguinte?

Repete.

Eu não quero construir uma vida em que o sucesso da empresa dependa da minha exaustão.

Trabalhar muito pode fazer parte de determinados momentos.

Existem semanas mais intensas.

Projetos importantes.

Prazos.

Imprevistos.

Mas viver permanentemente no limite não deveria ser considerado uma medalha.

Inclusive, pesquisas recentes sobre empreendedorismo feminino ajudam a mostrar que essa sobrecarga não é apenas uma sensação individual. Uma pesquisa nacional de 2026 da Rede Mulher Empreendedora, realizada com mais de mil mulheres, apontou que 61,7% das participantes consideram que a sobrecarga com tarefas de cuidado prejudica diretamente o crescimento de seus negócios.

É um dado que diz muita coisa.

Ser mãe muda completamente a relação com o tempo

Depois da maternidade, tempo ganhou outro significado para mim.

Uma hora livre importa.

Um almoço em família importa.

Conseguir participar de um momento da minha filha importa.

E também aprendi que estar fisicamente em casa não significa necessariamente estar presente.

Você pode estar sentada no sofá respondendo WhatsApp.

Pode estar brincando enquanto pensa em uma reunião.

Pode estar jantando enquanto verifica uma notificação.

O trabalho digital tornou essa fronteira ainda mais delicada.

A empresa está no celular.

O cliente está no celular.

A equipe está no celular.

O financeiro está no celular.

Tudo parece urgente porque tudo consegue chegar até você imediatamente.

Por isso, criar limites não significa apenas “sair do escritório”.

Às vezes significa decidir mentalmente que o expediente terminou.

E nem sempre consigo.

Mas tento.

A culpa aparece dos dois lados

Essa talvez seja uma das partes mais difíceis de explicar para quem nunca viveu essa rotina.

Quando você está trabalhando muito, pode surgir a culpa de não estar com sua filha.

Quando está com sua filha em um horário em que existe alguma coisa acontecendo na empresa, pode surgir a sensação de que deveria estar trabalhando.

É como se houvesse duas versões suas puxando em direções diferentes.

Mas comecei a perceber que tentar eliminar completamente essa sensação talvez seja impossível.

O que consigo fazer é voltar para uma pergunta: Onde eu escolhi estar agora?

Se estou trabalhando, quero trabalhar.

Se estou com minha família, quero tentar estar ali.

Não perfeitamente.

Mas conscientemente.

Uma pesquisa divulgada em 2026 sobre mulheres empreendedoras brasileiras mostrou justamente o peso dessa conciliação: 56% das entrevistadas apontaram a exaustão da dupla jornada como uma dificuldade, enquanto 46% mencionaram a falta de redes de apoio.

Portanto, se você sente que equilibrar tudo é difícil, existe uma questão estrutural por trás dessa experiência — e não apenas uma agenda mal organizada.

Meu casamento também precisa existir fora da rotina operacional

Quando um casal possui filhos, trabalho e responsabilidades, existe um risco silencioso:

o relacionamento virar uma reunião administrativa.

“Quem busca?”

“Pagou aquilo?”

“Que horas você chega?”

“Precisamos comprar isso.”

“Quem vai resolver aquilo?”

Tudo vira logística.

Por isso, ser esposa dentro dessa rotina também significa lembrar que o relacionamento precisa de momentos que não sejam apenas sobre problemas, empresa, boletos ou compromissos.

Nem sempre será um jantar elaborado.

Às vezes é uma conversa.

Uma série.

Um café.

Uma saída.

Alguns minutos sem celular.

Pequenos espaços importam.

Porque o casamento não pode receber apenas o tempo que sobra depois que todas as outras áreas da vida foram atendidas.

E onde eu entro nessa agenda?

Essa pergunta é importante: Onde fica a mulher que não está trabalhando, cuidando de alguém ou resolvendo alguma coisa?

Durante muito tempo, autocuidado foi vendido para mulheres como uma lista de produtos.

Máscara facial.

Banho demorado.

Skincare.

Tudo isso pode ser gostoso.

Mas hoje penso em autocuidado de uma maneira muito mais ampla.

É fazer exercício.

É cuidar da alimentação.

É ir ao médico.

É dormir.

É conseguir dizer não.

É ter momentos sozinha.

É encontrar pessoas de quem gosto.

É não aceitar uma agenda completamente impossível.

É entender que meu corpo também faz parte da estrutura que sustenta minha vida.

Se eu estiver permanentemente exausta, alguma área vai sentir.

Provavelmente todas.

Nem todos os dias têm o mesmo equilíbrio

Se eu transformasse minha rotina em um gráfico, gostaria que ele fosse assim:

25% trabalho.

25% família.

25% casamento.

25% eu.

Bonito, né?

Só que não funciona assim. 😂

Existem dias em que a empresa ocupa muito mais espaço.

Outros em que minha filha precisa mais de mim.

Há finais de semana dedicados à família.

Existem momentos em que preciso olhar mais para mim.

Por isso, prefiro pensar em equilíbrio ao longo do tempo, e não dentro de cada período de 24 horas.

Este gráfico é apenas uma representação ilustrativa dessa ideia:

A vida real não cabe perfeitamente em porcentagens.

Mas o conceito é importante.

Equilíbrio não significa distribuir tudo igualmente todos os dias.

Significa perceber quando uma área importante está ficando esquecida por tempo demais.

Existem dias em que nada acontece como planejado

E esses dias merecem aparecer em um artigo sobre rotina.

Porque rotina real também é:

  • reunião cancelada;
  • cliente urgente;
  • filha doente;
  • problema na empresa;
  • noite mal dormida;
  • internet que cai;
  • atividade que demora o dobro;
  • um compromisso esquecido;
  • uma semana em que você simplesmente está cansada.

Nesses momentos, tento trabalhar com prioridade.

O que é realmente urgente?

O que pode esperar?

O que alguém pode resolver por mim?

O que posso cancelar?

Essa última pergunta é libertadora.

Nem tudo precisa ser remarcado. Algumas coisas podem simplesmente deixar de existir na agenda.

A empresa precisa funcionar sem depender de mim para tudo

Talvez uma das maiores mudanças quando deixamos de apenas empreender e começamos realmente a construir uma empresa seja perceber que centralização não é sinônimo de controle.

Se tudo precisa passar por mim, eu não tenho uma empresa escalável.

Tenho um emprego extremamente complexo criado por mim mesma.

Por isso, processos são importantes.

Pessoas são importantes.

Documentação é importante.

Responsabilidades claras são importantes.

Tecnologia é importante.

A liderança precisa gradualmente sair do operacional que não exige sua presença e dedicar mais energia às decisões que realmente precisam dela.

Isso também abre espaço para a vida pessoal.

Delegar não é apenas uma estratégia empresarial.

Para mim, é também uma estratégia de qualidade de vida.

Eu ainda tenho dias improdutivos

Sim.

Mesmo sendo CEO.

Existem dias em que minha concentração não está boa.

Dias em que estou cansada.

Dias em que uma tarefa que deveria durar 30 minutos demora duas horas.

E sabe o que descobri?

A empresa não acaba por causa disso.

O problema começa quando transformamos um dia ruim em uma conclusão sobre quem somos.

“Hoje produzi pouco.”

é diferente de:

“Eu sou improdutiva.”

Uma coisa descreve um dia.

A outra transforma aquele dia em identidade.

Aprender essa diferença ajuda muito.

Home office também exige limites

Mesmo quando existe flexibilidade para trabalhar de casa, isso não significa automaticamente uma rotina mais tranquila.

O trabalho pode invadir todos os espaços.

Você abre o notebook “só cinco minutinhos”.

Quando percebe, passou uma hora.

Por isso, organização continua sendo necessária.

Já falei sobre isso aqui no blog em Como tornar o home office produtivo, com estratégias para foco, rotina, pausas e limites.

Flexibilidade funciona melhor quando existe estrutura.

Eu não quero ensinar minha filha que sucesso significa ausência

Esse é um pensamento que aparece bastante para mim.

Quero que minha filha cresça vendo uma mãe que trabalha.

Que empreende.

Que lidera.

Que toma decisões.

Que possui sonhos profissionais.

Que constrói coisas.

Mas também quero que ela veja que trabalho não é toda a identidade de uma pessoa.

Quero que ela entenda que sucesso também pode ser ter tempo.

Ter saúde.

Ter relações boas.

Poder fazer escolhas.

Estar presente.

Descansar sem sentir que está cometendo um crime contra a produtividade. 😂

Talvez esse seja um dos maiores motivos pelos quais busco construir uma empresa organizada.

Não quero apenas crescer.

Quero crescer de uma maneira que faça sentido para a vida que desejo viver.

Uma rotina possível vale mais do que uma rotina perfeita

Se você chegou até aqui esperando descobrir exatamente a hora em que acordo, o que faço às 8h17 e quantos minutos dedico a cada tarefa, talvez este artigo tenha seguido por outro caminho.

E foi proposital.

Porque horários mudam.

Fases mudam.

Filhos mudam.

Empresas mudam.

Prioridades mudam.

O que funciona hoje talvez precise ser completamente reorganizado daqui a seis meses.

Para mim, uma boa rotina não é aquela que nunca muda.

É aquela que consegue se adaptar sem perder o que realmente importa.

O que tento preservar na minha semana

Independentemente do volume de trabalho, existem alguns pontos que tento observar:

  • tempo de qualidade com minha filha;
  • presença no casamento e na família;
  • cuidado com minha saúde;
  • exercício e momentos pessoais;
  • decisões estratégicas da empresa;
  • acompanhamento da equipe;
  • espaço para pensar, e não apenas executar;
  • momentos em que simplesmente não estou trabalhando.

Nem sempre consigo cumprir tudo.

E esse é justamente o ponto.

A lista não existe para produzir culpa.

Existe para funcionar como uma bússola.

O que aprendi sendo mãe, esposa e CEO

Aprendi que ninguém dá conta de tudo sozinha.

Aprendi que pedir ajuda não diminui competência.

Que delegar é necessário.

Que minha filha não precisa de uma mãe disponível 24 horas por dia, mas precisa de presença.

Que uma empresa saudável não deveria desmoronar porque a CEO tirou uma tarde livre.

Que casamento também precisa de atenção.

Que saúde não pode entrar na agenda apenas quando alguma coisa dá errado.

E que crescimento profissional perde parte do sentido quando custa todas as outras áreas da vida.

Também aprendi que algumas semanas serão incríveis.

Outras serão caóticas.

E ambas fazem parte.

Eu não dou conta de tudo — eu escolho prioridades

Talvez essa seja a melhor forma de resumir minha rotina.

Eu não consigo fazer tudo.

E parei de acreditar que deveria.

Sou mãe.

Sou esposa.

Sou CEO.

Mas também sou uma mulher com limites, sonhos, necessidades e uma vida que existe para além desses papéis.

Em alguns dias, a CEO precisará aparecer mais.

Em outros, será a mãe.

Em determinados momentos, minha família será prioridade.

E também existirão momentos em que eu precisarei ser minha própria prioridade.

Não considero isso falta de equilíbrio.

Considero maturidade para entender que a vida acontece em fases.

Se você também tenta conciliar filhos, relacionamento, carreira, casa e seus próprios sonhos, talvez a solução não esteja em descobrir como fazer tudo.

Talvez esteja em aprender o que realmente precisa ser feito agora, o que pode ser delegado e o que simplesmente pode esperar.

Porque construir uma carreira é importante.

Construir uma empresa é incrível.

Mas também quero estar presente para viver a vida que estou trabalhando tanto para construir. 💜

E você: qual parte da sua vida parece estar exigindo mais atenção neste momento? Compartilhe sua experiência — talvez outra mulher precise descobrir que ela também não precisa dar conta de tudo sozinha.

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