O que é ROAS e como calcular no tráfego pago? Guia simples para entender se seus anúncios estão dando retorno

por Thais Cristina
ROAS no Tráfego Pago: Como Saber se Seus Anúncios Estão Dando Lucro?

Você investiu R$ 1.000 em anúncios e conseguiu vender R$ 5.000.

Foi um bom resultado?

A primeira reação provavelmente seria: “Claro! Coloquei R$ 1.000 e voltaram R$ 5.000.”

Mas será que esses R$ 5.000 significam que você teve R$ 4.000 de lucro?

Não necessariamente.

É justamente aqui que entra uma das métricas mais importantes para quem trabalha com anúncios: o ROAS.

A sigla aparece constantemente em relatórios de Google Ads, campanhas, reuniões com agências e análises de performance. Apesar do nome parecer técnico, o conceito é bastante simples.

ROAS significa Return on Ad Spend, ou Retorno sobre o Investimento em Publicidade. Na prática, ele mostra quanto de receita ou valor de conversão atribuído aos anúncios foi gerado para cada real investido em mídia.

O próprio Google define ROAS como a relação entre o valor total de conversão atribuído e o gasto total com publicidade.

Neste artigo, vou explicar o que é ROAS, como calcular, qual ROAS pode ser considerado bom, qual a diferença entre ROAS e ROI e por que olhar apenas para essa métrica pode levar a decisões erradas.

E pode ficar tranquila: você não precisa gostar de matemática para entender. 😅

O que é ROAS?

ROAS é uma métrica utilizada para avaliar o retorno do dinheiro investido diretamente em publicidade.

Imagine que uma loja virtual investiu: R$ 2.000 em anúncios

E as vendas atribuídas a esses anúncios somaram: R$ 8.000

Nesse caso: ROAS = 8.000 ÷ 2.000 = 4

Podemos dizer que o ROAS foi 4x.

Ou, em percentual: 400%

Isso significa que, segundo a atribuição utilizada na análise, para cada R$ 1 investido em anúncios, foram gerados R$ 4 em vendas.

Simples, certo?

Como calcular o ROAS?

A fórmula básica é: ROAS = Receita atribuída aos anúncios ÷ Investimento em anúncios

Quando apresentado em percentual: ROAS (%) = (Receita atribuída ÷ Investimento) × 100

Vamos para outro exemplo.

Uma empresa investiu R$ 3.000 no mês.

As campanhas geraram R$ 15.000 em vendas atribuídas.

Temos: 15.000 ÷ 3.000 = 5

Portanto: ROAS = 5x ou 500%

Para cada R$ 1 investido em mídia, foram atribuídos R$ 5 em receita.

No Google Ads, uma métrica equivalente aparece como “Valor de conversão por custo”, calculada dividindo o valor das conversões pelo custo.

Tabela simples para entender o ROAS

Veja alguns exemplos hipotéticos:

InvestimentoReceita atribuídaROASRetorno por R$ 1
R$ 1.000R$ 1.0001xR$ 1
R$ 1.000R$ 2.0002xR$ 2
R$ 1.000R$ 3.0003xR$ 3
R$ 1.000R$ 5.0005xR$ 5
R$ 1.000R$ 8.0008xR$ 8
R$ 1.000R$ 10.00010xR$ 10

Visualmente, fica ainda mais fácil:

Quanto R$ 1.000 em anúncios representa em diferentes ROAS

O gráfico é apenas ilustrativo. Não significa que investir R$ 1.000 automaticamente gerará qualquer um desses resultados.

ROAS 5 significa o quê?

Essa dúvida é muito comum.

Se alguém disser: “Nossa campanha está com ROAS 5.”

Significa que o valor atribuído às conversões equivale a cinco vezes o investimento publicitário.

Exemplo:

Investimento: R$ 4.000

ROAS: 5

Receita atribuída:

R$ 4.000 × 5 = R$ 20.000

Portanto, ROAS 5 = 500%.

Da mesma maneira:

ROAS 2 = 200%

ROAS 3 = 300%

ROAS 4 = 400%

ROAS 10 = 1.000%

Mas atenção: ROAS 5 não significa 500% de lucro.

Essa diferença é fundamental.

ROAS não é lucro

Esse talvez seja o maior erro de interpretação dessa métrica.

Imagine uma loja que teve: R$ 10.000 em vendas atribuídas aos anúncios e investiu: R$ 2.000 em publicidade.

Seu ROAS seria: 10.000 ÷ 2.000 = 5

Excelente?

Ainda não sabemos.

Porque existem outros custos.

A loja talvez tenha:

  • R$ 4.000 de custo dos produtos;
  • R$ 1.000 de impostos;
  • R$ 600 em taxas de pagamento;
  • R$ 500 em subsídios de frete;
  • R$ 300 em embalagens;
  • R$ 2.000 de investimento em anúncios.

Percebe?

Os R$ 10 mil são faturamento, não lucro.

Por isso, nunca recomendo analisar ROAS isoladamente.

Qual é a diferença entre ROAS e ROI?

ROAS está diretamente relacionado ao investimento em publicidade.

ROI é uma análise mais ampla de retorno sobre investimento e normalmente considera o resultado financeiro depois dos custos relevantes.

O glossário oficial do Google Ads diferencia as duas métricas: ROAS é calculado pelo valor total da conversão dividido pelo gasto publicitário, enquanto ROI relaciona lucro e investimento.

De maneira simplificada:

  • ROAS → eficiência da publicidade
  • ROI → retorno financeiro do investimento

Imagine:

Receita = R$ 20.000

Investimento em anúncios = R$ 4.000

O ROAS será: 20.000 ÷ 4.000 = 5

Mas para saber se a operação realmente foi lucrativa, precisamos considerar outros custos.

É por isso que uma campanha pode apresentar um ROAS aparentemente bonito e ainda assim ser ruim financeiramente para determinada empresa.

Afinal, qual é um ROAS bom?

Essa pergunta aparece muito: “ROAS 3 é bom?”

A resposta correta é: depende da margem do negócio.

Não existe um ROAS universal que seja bom para todas as empresas.

Imagine duas lojas.

Loja A

Vende um produto por R$ 200 e, depois dos custos variáveis que não incluem mídia, conserva R$ 120 para pagar publicidade e contribuir para despesas/lucro.

Ela possui uma margem muito diferente de outra empresa que vende por R$ 200 e conserva apenas R$ 40 antes da mídia.

As duas não podem trabalhar com a mesma meta de ROAS e esperar o mesmo resultado financeiro.

É por isso que o próprio Google orienta que a definição de um ROAS desejado considere os objetivos do negócio e o histórico de desempenho, em vez de simplesmente copiar um número considerado “bom” no mercado.

Como descobrir o ROAS mínimo da sua empresa?

Aqui começamos a entrar em uma análise mais interessante.

Vamos utilizar um exemplo simplificado.

Produto vendido por: R$ 100

Depois de produto, impostos, taxas, comissão, frete subsidiado e outros custos variáveis, restam: R$ 25 antes do gasto com publicidade.

Isso significa que a publicidade poderia consumir, no máximo, esses R$ 25 para que essa venda chegasse aproximadamente ao ponto de equilíbrio nessa conta simplificada.

Assim: R$ 100 ÷ R$ 25 = ROAS 4

Nesse cenário hipotético, um ROAS de aproximadamente 4x seria o ponto de equilíbrio da mídia, considerando apenas os custos incluídos nessa conta.

Acima disso, começa a existir contribuição positiva.

Abaixo disso, a venda pode estar consumindo mais dinheiro em publicidade do que a margem disponível.

Mas a realidade financeira de cada empresa pode incluir custos fixos, devoluções, inadimplência, descontos, diferentes margens por produto e outros fatores. Por isso, o cálculo ideal deve ser feito junto ao financeiro ou à contabilidade da empresa.

ROAS alto sempre é melhor?

Aqui temos outra pegadinha.

Imagine duas campanhas:

Campanha A

Investimento: R$ 1.000
Receita: R$ 10.000
ROAS: 10x

Campanha B

Investimento: R$ 20.000
Receita: R$ 120.000
ROAS: 6x

Qual é melhor?

Se analisarmos exclusivamente o ROAS, seria a Campanha A.

Mas a Campanha B gerou R$ 110 mil a mais de receita atribuída.

Dependendo da margem, capacidade operacional, estoque e objetivo da empresa, pode ser muito mais interessante aceitar um ROAS menor em troca de maior volume.

Esse é um dos motivos pelos quais perseguir o “maior ROAS possível” nem sempre é a estratégia correta.

ROAS e escala: o equilíbrio que muita gente esquece

À medida que uma campanha escala, pode ficar mais difícil manter exatamente o mesmo ROAS.

Imagine que você encontrou um pequeno público altamente interessado no produto.

Investiu R$ 500 e conseguiu ROAS 10.

Ótimo.

Agora deseja investir R$ 50.000 mantendo exatamente o mesmo retorno.

Talvez não seja possível.

Para aumentar o investimento, as plataformas precisam alcançar mais pessoas e participar de mais oportunidades de anúncio.

Inclusive, na documentação sobre ROAS desejado, o Google alerta que estabelecer uma meta excessivamente alta pode limitar o tráfego da campanha. A plataforma também explica que reduzir gradualmente uma meta de ROAS pode permitir maior participação em leilões e aumentar o volume de conversões.

Portanto, precisamos analisar: eficiência + volume + margem + lucro.

O que é ROAS desejado?

No Google Ads existe uma estratégia conhecida como ROAS desejado.

Você informa à plataforma qual retorno médio gostaria de buscar.

Por exemplo: ROAS desejado = 500%

Na prática, a meta é buscar aproximadamente R$ 5 em valor de conversão para cada R$ 1 investido.

O próprio Google utiliza exatamente essa lógica em sua documentação: uma meta de R$ 5 em vendas para R$ 1 em publicidade corresponde a um ROAS desejado de 500%.

A plataforma utiliza seus sistemas de lances e sinais disponíveis para tentar maximizar o valor de conversão enquanto busca atingir, em média, aquela meta. Isso não significa que cada venda individual terá ROAS 5, nem que a meta será garantida.

Não configure ROAS desejado no chute

Se você acabou de descobrir que existe ROAS desejado, cuidado para não abrir sua conta e simplesmente colocar: 800% porque parece um número ótimo. 😂

A meta precisa fazer sentido para o negócio e para os dados disponíveis.

Em sua orientação atual, o Google recomenda utilizar os objetivos do negócio e o histórico de ROAS como referência e ressalta a importância de registrar corretamente os valores das conversões antes de trabalhar com estratégias de lance baseadas em valor.

Sem mensuração adequada, a plataforma pode otimizar com informações incompletas ou erradas.

Rastreamento é indispensável para calcular ROAS

Existe um detalhe muito importante: como você saberá quanto os anúncios venderam se as vendas não estiverem sendo registradas corretamente?

Imagine:

Você investiu R$ 5.000.

A loja vendeu R$ 30.000.

Não significa automaticamente que: ROAS = 6.

Parte dessas vendas pode ter vindo de:

  • Google orgânico;
  • Instagram orgânico;
  • clientes recorrentes;
  • acesso direto;
  • indicação;
  • e-mail;
  • WhatsApp;
  • marketplaces;
  • outros canais.

O ROAS precisa relacionar o investimento publicitário ao valor atribuído à publicidade de acordo com o sistema de mensuração utilizado.

No Google Ads, por exemplo, o valor total de conversão depende dos valores registrados para as ações de conversão. A própria documentação alerta que configurações incorretas podem gerar valores errados e orienta conferir o mapeamento das variáveis quando são utilizados valores dinâmicos em plataformas de e-commerce.

Por isso, rastreamento não é um detalhe técnico.

É parte da estratégia.

Atribuição também influencia o ROAS

Imagine que uma cliente:

  1. vê um anúncio;
  2. visita sua loja;
  3. sai;
  4. pesquisa sua marca alguns dias depois;
  5. entra novamente;
  6. compra.

Quem recebe o crédito pela venda?

Essa resposta depende do sistema e do modelo de atribuição utilizados.

Por isso, duas plataformas podem eventualmente apresentar números diferentes para uma mesma operação.

O ROAS mostrado dentro de uma plataforma é baseado nas conversões que aquela plataforma atribuiu aos anúncios segundo suas regras e dados disponíveis.

Isso precisa ser considerado na análise.

Quais métricas acompanhar junto com o ROAS?

ROAS é importante, mas ele fica muito mais poderoso quando analisado junto a outros indicadores.

Eu observaria principalmente:

  • Receita e valor de conversão: quanto efetivamente foi atribuído às campanhas.
  • CPA: quanto está custando gerar cada aquisição ou conversão.
  • Taxa de conversão: qual parcela das interações qualificadas termina em conversão.
  • Ticket médio: quanto cada pedido representa, em média.
  • Margem de contribuição: quanto sobra da venda após os custos variáveis relevantes.
  • Volume de vendas: porque um ROAS excelente com pouquíssimas vendas pode não sustentar uma operação.
  • Lucro: afinal, faturamento sozinho não paga os boletos. 😅

O Google também disponibiliza métricas como custo por conversão, taxa de conversão, valor total das conversões e valor por conversão para ajudar a analisar o desempenho além de uma única métrica.

Um exemplo completo

Imagine uma loja virtual.

Durante o mês:

Investimento em mídia: R$ 10.000

Receita atribuída aos anúncios: R$ 50.000

ROAS:

50.000 ÷ 10.000 = 5

ROAS = 500%

Parece ótimo.

Agora vamos supor, apenas para fins didáticos, que os custos variáveis relacionados às vendas tenham sido:

Produtos: R$ 20.000

Impostos e taxas: R$ 7.000

Fretes subsidiados e outros custos: R$ 5.000

Publicidade: R$ 10.000

Total considerado no exemplo: R$ 42.000

Sobrariam R$ 8.000 antes de eventuais despesas fixas e outros custos não incluídos.

Agora imagine exatamente a mesma campanha em uma empresa com custos de produto muito maiores.

O ROAS continuaria sendo 5.

Mas o resultado financeiro poderia ser completamente diferente.

Esse exemplo mostra por que a pergunta correta não é apenas: “Meu ROAS está bom?”

É: “Meu ROAS está bom para a margem e para os objetivos da minha empresa?”

Como melhorar o ROAS?

Melhorar o ROAS não significa apenas “mexer no anúncio”.

O resultado depende de toda a jornada.

Você pode trabalhar anúncios melhores, segmentação, criativos, ofertas, páginas de destino, velocidade do site, página de produto, checkout, preço, frete, meios de pagamento, remarketing e experiência de compra.

Uma campanha excelente enviando pessoas para uma loja ruim continuará enfrentando dificuldades.

Se você possui um e-commerce, recomendo a leitura de A Aparência da Sua Loja Virtual Está Afastando Clientes?, porque confiança e experiência também participam da decisão de compra.

Para entender a estratégia de aquisição como um todo, veja também Tráfego Pago Vale a Pena para Pequena Empresa?.

E se você ainda está estruturando sua presença online, comece por Primeiros Passos no Marketing Digital: Estratégias que Funcionam.

Não tente consertar uma oferta ruim aumentando o orçamento

Esse ponto merece atenção.

Se uma campanha não vende, aumentar o orçamento nem sempre resolverá.

Antes, investigue:

  • O anúncio está atraindo a pessoa certa?
  • O produto é competitivo?
  • A oferta está clara?
  • A página transmite confiança?
  • O preço faz sentido?
  • O frete está afastando clientes?
  • O checkout funciona bem?
  • Existe demanda?
  • O rastreamento está correto?

Às vezes o problema não está no tráfego.

Está no que acontece depois do clique.

E para pequenas empresas, vale acompanhar ROAS?

Com certeza.

Na verdade, quanto menor o orçamento, mais importante é entender para onde o dinheiro está indo.

Você não precisa começar com relatórios extremamente complexos.

Comece respondendo:

Quanto investi?

Quanto foi atribuído em vendas?

Qual foi meu ROAS?

Qual é minha margem?

Quanto realmente sobrou?

Depois, evolua a análise.

Se você está começando no digital, vale complementar com Como começar no digital do zero e fazer sua primeira venda.

ROAS bom é aquele que faz sentido para o seu negócio

Depois de tudo isso, quero que você guarde uma ideia: ROAS não deve ser analisado isoladamente.

A fórmula é simples: receita ou valor de conversão atribuído aos anúncios ÷ investimento publicitário.

Mas interpretar o resultado exige entender o negócio.

ROAS 2 pode ser inviável para uma empresa e excelente dentro de outro modelo.

ROAS 5 pode gerar lucro para uma loja e prejuízo para outra.

ROAS 10 pode parecer incrível, mas talvez exista tão pouco volume que a campanha quase não contribua para o crescimento.

Por isso, antes de perguntar: “Qual ROAS devo buscar?”

Pergunte: “Qual ROAS minha margem permite e qual resultado financeiro quero alcançar?”

A partir daí, o tráfego pago deixa de ser apenas colocar dinheiro em anúncios e esperar vendas.

Ele passa a ser tratado como aquilo que realmente é: um investimento que precisa ser medido, analisado e conectado aos números da empresa. 📊🚀

Você sabe qual é o ROAS mínimo que sua empresa precisa atingir para uma campanha realmente valer a pena? Antes de aumentar o orçamento dos anúncios, coloque no papel sua margem, seus custos e o retorno necessário para crescer com lucro. 📈

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