Como Voltar ao Mercado de Trabalho Após a Licença-Maternidade: Um Guia para Essa Nova Fase

por Thais Cristina
Como Voltar ao Mercado de Trabalho Após a Licença-Maternidade sem Culpa e com Mais Segurança

Voltar ao mercado de trabalho após a licença-maternidade pode ser um dos momentos mais contraditórios da maternidade.

De um lado, existe vontade de retomar a carreira, conversar sobre assuntos que não envolvem mamadas, fraldas ou sonecas, recuperar parte da independência e voltar a exercer uma identidade profissional que sempre fez parte de você.

Do outro, existe um bebê.

E junto com ele podem aparecer culpa, insegurança, saudade, preocupação, cansaço e aquela pergunta que passa pela cabeça de muitas mães: “Como eu vou conseguir trabalhar e cuidar do meu filho?”

A primeira coisa importante é entender que voltar ao trabalho não significa simplesmente retornar para a vida que existia antes.

Você mudou.

Sua rotina mudou.

Suas prioridades podem ter mudado.

E a forma como você deseja construir sua carreira também pode mudar.

Por isso, aprender como voltar ao mercado de trabalho após a licença-maternidade envolve muito mais do que organizar a bolsa do bebê e colocar o despertador para tocar.

É uma adaptação profissional, familiar, logística e emocional.

E ela não precisa acontecer perfeitamente.

Voltar ao mercado de trabalho após a licença-maternidade pode ser difícil

Existe uma ideia de que, terminado o período da licença, basta voltar ao escritório e seguir normalmente.

Na vida real, não é tão simples.

O bebê pode ainda acordar durante a madrugada.

Você pode estar amamentando.

Pode existir adaptação à creche.

Pode haver dificuldade para encontrar alguém de confiança para cuidar da criança.

Sua rotina de sono pode estar completamente diferente.

E ainda existe toda a carga de cuidado que não desaparece quando você entra no trabalho.

Dados divulgados pelo IBGE mostram bem essa desigualdade: em 2022, as mulheres brasileiras dedicavam, em média, 21,3 horas semanais aos afazeres domésticos e ao cuidado de pessoas, enquanto os homens dedicavam 11,7 horas.

Portanto, muitas mulheres não estão simplesmente voltando ao emprego.

Estão tentando encaixar o emprego em uma rotina que ganhou uma quantidade enorme de novas responsabilidades.

Você não precisa voltar sendo exatamente a profissional que era antes

Essa é uma reflexão que considero importante.

Talvez antes da maternidade você não se importasse em trabalhar até mais tarde.

Talvez aceitasse reuniões em qualquer horário.

Talvez viajar a trabalho fosse tranquilo.

Talvez crescer profissionalmente fosse sua prioridade absoluta.

Depois de ter um filho, algumas dessas coisas podem continuar exatamente iguais.

Outras talvez não.

E tudo bem.

Maternidade não precisa acabar com ambição profissional.

Mas também não existe obrigação de fingir que nada mudou.

Você pode continuar querendo:

  • crescer;
  • liderar;
  • empreender;
  • ganhar mais;
  • assumir cargos maiores;
  • construir uma empresa;
  • desenvolver sua carreira.

Só que agora talvez existam novos critérios para decidir como você quer alcançar tudo isso.

Antes da volta, organize a logística

Uma das melhores maneiras de reduzir a ansiedade é diminuir as incertezas que podem ser resolvidas antecipadamente.

Quem ficará com o bebê?

Creche?

Babá?

Avós?

Outro familiar?

Como será o transporte?

Quem leva?

Quem busca?

Qual é o plano caso o bebê fique doente?

Quem poderá sair do trabalho?

Existe uma segunda pessoa que pode ajudar caso o plano principal falhe?

Você não precisa ter uma solução para todos os problemas futuros.

Mas ter um plano básico reduz a quantidade de decisões que precisarão ser tomadas em momentos difíceis.

Inclusive, esse é um assunto que aprofundei em CEO ou Mãe? Como Conciliar Filho Doente com a Empresa sem se Sentir Culpada.

Porque uma coisa é organizar a rotina quando está tudo bem.

Outra é quando a creche liga às 14h dizendo: “Seu filho está com febre.”

Faça uma adaptação antes do primeiro dia

Se possível, evite que o primeiro dia longe do bebê seja exatamente o primeiro dia de trabalho.

Imagine:

  • primeiro dia na creche;
  • primeiro dia com a cuidadora;
  • primeiro dia longe da mãe por várias horas;
  • primeiro dia da mãe de volta ao escritório.

Tudo acontecendo simultaneamente.

Pode ser emocionalmente pesado.

Quando a realidade da família permitir, faça uma adaptação gradual antes.

Algumas horas.

Depois um período maior.

Observe como o bebê reage.

Observe como você reage também.

Porque não é apenas a criança que está em adaptação.

A mãe também está.

Conheça seus direitos no retorno ao trabalho

Para trabalhadoras contratadas sob o regime da CLT, a licença-maternidade é, em regra, de 120 dias, sem prejuízo do emprego e do salário. A legislação prevê situações específicas de ampliação, e a Lei nº 15.222/2025 passou a tratar também da prorrogação em determinadas hipóteses de internação hospitalar relacionada ao parto.

Também existem regras relacionadas à estabilidade no emprego e à amamentação.

Segundo orientação oficial publicada pelo Ministério das Mulheres em agosto de 2026, após o retorno, a CLT assegura à trabalhadora dois descansos especiais de meia hora durante a jornada para amamentar até que a criança complete seis meses, inclusive em caso de adoção.

Além disso, acordos e convenções coletivas podem estabelecer condições adicionais. Por isso, para entender exatamente seus direitos, vale consultar o RH, sindicato da categoria ou orientação jurídica quando necessário.

E se eu estiver amamentando?

Voltar ao trabalho não significa necessariamente encerrar a amamentação.

O Ministério da Saúde orienta que é possível manter a produção de leite através da sucção do bebê e também da extração manual ou com bomba. Para quem pretende armazenar leite para o período de retorno, a orientação oficial sugere começar a fazer a extração para formar estoque cerca de 15 dias antes da volta ao trabalho.

O Ministério também orienta verificar se o local de trabalho ou uma Unidade Básica de Saúde próxima possui Sala de Apoio à Amamentação.

Mas cada mãe e cada bebê vivem uma realidade.

Dificuldades com pega, dor, fissuras, produção de leite ou outras questões relacionadas à amamentação devem ser conversadas com profissionais de saúde. UBSs, maternidades e bancos de leite humano são algumas das opções de apoio oferecidas pelo SUS.

Converse com a empresa antes de voltar

Se você está retornando ao mesmo emprego, uma conversa prévia pode ajudar bastante.

Procure entender:

  • como será seu primeiro dia;
  • se houve mudanças na equipe;
  • quais projetos estão em andamento;
  • quais serão suas prioridades;
  • como está sua função;
  • se existe alguma política interna relacionada à parentalidade;
  • como serão tratados horários e necessidades relacionadas à amamentação.

Não espere descobrir quatro meses de acontecimentos às 8h05 do primeiro dia.

Se possível, peça um pequeno resumo alguns dias antes.

Assim, você consegue voltar sabendo minimamente o que aconteceu enquanto estava afastada.

Não tente recuperar quatro meses em quatro dias

Esse erro é muito comum.

Você volta querendo provar que continua competente.

Quer responder tudo.

Entender tudo.

Participar de tudo.

Mostrar produtividade.

Compensar o tempo afastada.

Mas licença-maternidade não é uma dívida profissional.

Você não precisa “pagar” o período em que esteve afastada trabalhando duas vezes mais.

Faça uma retomada inteligente.

Primeiro entenda o cenário.

Depois reorganize prioridades.

Atualize-se.

Converse com a equipe.

Identifique mudanças.

Então comece a aumentar o ritmo.

A primeira semana provavelmente não será perfeita

Talvez o bebê chore na hora em que você precisa sair.

Talvez você chore no carro.

Talvez fique olhando o celular esperando uma mensagem.

Talvez sinta alívio por voltar ao trabalho.

E depois culpa por ter sentido alívio.

Talvez passe metade do dia com saudade.

Talvez seja maravilhoso tomar um café quente em silêncio. 😂

Sentimentos aparentemente contraditórios podem coexistir.

Você pode amar seu filho profundamente e gostar de trabalhar.

Pode sentir saudade e, ao mesmo tempo, sentir satisfação profissional.

Uma coisa não anula a outra.

Voltar a trabalhar não faz você menos mãe

Essa talvez seja uma das culpas mais difíceis.

Principalmente porque existe uma pressão enorme sobre mulheres para estarem presentes em absolutamente tudo.

Mas trabalhar também pode fazer parte daquilo que você deseja para sua vida e para sua família.

Carreira pode significar:

  • realização;
  • independência financeira;
  • segurança;
  • identidade;
  • crescimento;
  • propósito;
  • oportunidades futuras.

Não existe apenas um modelo correto de maternidade.

Algumas mulheres querem voltar ao emprego.

Outras querem reduzir a jornada.

Algumas mudam de profissão.

Outras começam a empreender.

Algumas decidem permanecer mais tempo fora do mercado quando isso é possível.

A decisão é pessoal e também depende da realidade financeira de cada família.

Divida as responsabilidades

Um dos maiores problemas acontece quando a mãe volta ao trabalho, mas continua sendo considerada a responsável principal por praticamente tudo relacionado à criança.

Ela trabalha.

Mas também:

  • marca pediatra;
  • organiza roupas;
  • compra fraldas;
  • acompanha vacinas;
  • prepara mochila;
  • controla alimentação;
  • resolve creche;
  • acorda durante a madrugada;
  • lembra dos itens que estão acabando.

Então temos duas jornadas acontecendo ao mesmo tempo.

Os dados do IBGE sobre o tempo dedicado ao cuidado e aos afazeres domésticos ajudam a mostrar que essa diferença ainda existe no Brasil.

Quando existe outro responsável pela criança, conversem sobre divisão real.

Não apenas: “Me avisa se precisar de ajuda.”

Mas: “Quais responsabilidades são suas e quais são minhas?”

Existe uma diferença enorme entre ajudar e assumir responsabilidade.

Monte uma rotina mínima

Não tente criar uma rotina perfeita de Pinterest.

Crie uma que funcione.

Por exemplo:

  • roupas separadas à noite;
  • bolsa do bebê preparada;
  • refeições minimamente planejadas;
  • horário aproximado para dormir;
  • tarefas domésticas divididas;
  • agenda compartilhada;
  • lista de compras;
  • plano para imprevistos.

Quanto menos decisões pequenas você precisar tomar pela manhã, melhor.

Isso reduz carga mental.

No artigo Rotina Produtiva para Mulheres Ocupadas, mostro outras estratégias para organizar a semana sem transformar produtividade em uma tentativa impossível de fazer tudo.

Sua produtividade pode mudar — principalmente no começo

Antes você dormia sete horas.

Agora talvez tenha acordado três vezes.

Não faz sentido esperar exatamente o mesmo nível de energia.

Por isso, nos primeiros meses, tente trabalhar melhor com prioridades.

Pergunte todas as manhãs: Quais são as três coisas mais importantes de hoje?

Se conseguir concluir essas três, ótimo.

Depois avance para o restante.

É muito mais eficiente do que abrir uma lista com 27 tarefas e passar o dia sentindo que está atrasada.

Aprenda novamente a proteger seu tempo

Quando você se torna mãe, tempo parece mudar de valor.

Uma reunião de duas horas que poderia ser um e-mail começa a incomodar muito mais.

Uma tarefa repetitiva que poderia ser automatizada também.

Isso pode ser positivo.

Maternidade muitas vezes força uma pergunta que deveríamos fazer antes: “Isso realmente precisa de mim?”

No trabalho, comece a observar:

  • o que pode ser delegado;
  • o que pode ser automatizado;
  • quais reuniões são realmente necessárias;
  • quais tarefas geram resultado;
  • o que está consumindo tempo sem necessidade.

Essa mentalidade também é muito útil para quem lidera uma empresa.

Talvez você queira mudar de carreira

Para algumas mulheres, a licença-maternidade gera reflexões profundas.

“Quero continuar nesse emprego?”

“Esse horário ainda funciona para mim?”

“Quero trabalhar com isso pelos próximos cinco anos?”

“Gostaria de ter mais flexibilidade?”

“Quero empreender?”

“Quero trabalhar remotamente?”

Não existe problema em descobrir que suas prioridades mudaram.

Mas evite tomar decisões financeiras importantes apenas pelo cansaço de uma semana difícil.

Pesquise.

Planeje.

Faça contas.

Converse com sua família.

Entenda riscos.

Se a ideia de construir algo próprio começou a aparecer, leia Empreendedorismo Feminino: Por Onde Começar?.

Empreender depois da maternidade é uma possibilidade, não uma solução mágica

Muitas mães começam a considerar o empreendedorismo em busca de maior autonomia.

Isso realmente acontece.

Uma pesquisa do Sebrae/PR realizada com 650 empreendedoras entre março e abril de 2026 mostrou que 79% das entrevistadas tinham filhos e 52% afirmaram que a maternidade as motivou a empreender. Ao mesmo tempo, 60% apontaram a gestão do tempo como principal desafio.

Ou seja:

empreender pode trazer flexibilidade.

Mas não significa necessariamente trabalhar menos.

Se você está considerando esse caminho, recomendo também Os Maiores Desafios do Empreendedorismo Feminino e Como Superá-los.

E se eu fiquei mais tempo fora do mercado?

Nem toda mãe volta após quatro ou seis meses.

Algumas ficam um ano.

Três anos.

Cinco.

Às vezes mais.

Nesse caso, a estratégia muda um pouco.

Comece atualizando seu currículo e LinkedIn.

Revise sua área.

Veja quais ferramentas mudaram.

Faça cursos pontuais quando realmente necessários.

Reative contatos profissionais.

Converse com antigas colegas.

Participe de eventos.

Pesquise vagas.

Treine entrevistas.

E, principalmente:

não trate o período dedicado aos filhos como se tivesse apagado toda a experiência profissional que veio antes.

Você continua tendo sua formação, conhecimentos, experiências e habilidades.

Talvez apenas precise atualizá-los.

Networking pode ajudar muito na volta

Depois de meses ou anos afastada, mandar currículos não precisa ser sua única estratégia.

Converse com pessoas.

Avise que está voltando.

Entre em contato com antigas colegas.

Participe de eventos.

Retome relações profissionais.

Às vezes uma oportunidade surge porque alguém lembra:

“Conheço uma pessoa ótima para essa vaga.”

Expliquei como construir essas conexões no artigo Networking Empresarial: O Que É e Como Criar Conexões que Geram Oportunidades.

Networking não significa pedir emprego para todo mundo.

Significa voltar a circular profissionalmente.

Atualize sua apresentação profissional

Se estiver procurando uma nova oportunidade, prepare uma resposta simples para: “Fale sobre você.”

Não precisa começar: “Eu fiquei afastada porque tive filho…”

Comece pela profissional.

Por exemplo: “Sou profissional de marketing com seis anos de experiência em e-commerce, planejamento e gestão de campanhas. Trabalhei com X e Y e agora estou retomando minha carreira buscando uma oportunidade na área de…”

Direto.

Claro.

Profissional.

Maternidade faz parte da sua história.

Mas ela não precisa substituir sua identidade profissional.

Não se candidate somente quando preencher 100% da vaga

Esse comportamento pode limitar oportunidades.

Se você possui boa parte das competências relevantes e acredita que consegue executar ou aprender o restante, avalie a candidatura.

Descrição de vaga frequentemente representa o perfil ideal desejado.

Você não precisa olhar cada requisito como uma prova em que qualquer item ausente elimina automaticamente sua candidatura.

Leia.

Compare.

Pesquise.

Candidate-se quando houver compatibilidade razoável.

Flexibilidade também pode entrar na negociação

Desde 2022, o Programa Emprega + Mulheres prevê medidas de apoio à parentalidade e à manutenção das mulheres no mercado de trabalho. Entre as possibilidades previstas estão teletrabalho, regime de tempo parcial, banco de horas e horários flexíveis, observados os critérios e condições legais aplicáveis.

Isso não significa que toda trabalhadora possa escolher unilateralmente qualquer modalidade.

Mas mostra que existem instrumentos legais voltados à conciliação entre trabalho e parentalidade.

Na prática, vale entender as políticas da empresa e conversar sobre possibilidades compatíveis com sua função.

Construa uma rede de apoio

Rede de apoio não significa apenas alguém para ficar com seu filho enquanto você trabalha.

Pode ser alguém que:

  • busca na escola;
  • leva ao pediatra;
  • faz uma refeição;
  • ajuda em uma emergência;
  • divide tarefas domésticas;
  • fica disponível quando a criança adoece.

E rede de apoio não precisa ser formada somente por mulheres.

Pai é responsável.

Companheiro é responsável.

A divisão do cuidado precisa envolver quem participa daquela família.

Inclusive, o próprio Programa Emprega + Mulheres prevê medidas voltadas à parentalidade e ao apoio ao retorno das mulheres após a licença-maternidade.

Não tente compensar sua ausência quando chegar em casa

Esse é outro ciclo perigoso.

Você passa o dia trabalhando e pensa: “Agora preciso ficar 100% disponível para meu filho.”

Então tenta brincar, fazer jantar, arrumar casa, organizar tudo para amanhã, responder mensagens e ainda dormir tarde.

Você termina exausta.

Qualidade de presença não significa disponibilidade ininterrupta.

Às vezes 30 minutos realmente presente, sem celular, brincando ou conversando, são muito mais significativos do que três horas tentando fazer cinco coisas ao mesmo tempo.

Cuide da sua carreira sem desaparecer da sua própria vida

No meio de:

  • bebê;
  • empresa;
  • emprego;
  • casa;
  • relacionamento;
  • família;
  • tarefas;
  • é muito fácil a mulher desaparecer.

E sobrar apenas:

  • mãe;
  • funcionária;
  • esposa;
  • gestora da casa.

Você continua sendo uma pessoa.

Não precisa voltar da licença-maternidade e imediatamente encaixar academia, terapia, leitura, skincare, curso, meditação e oito horas de sono todos os dias.

Mas tente preservar pequenos espaços seus.

Porque uma rotina sustentável precisa incluir você.

Os primeiros meses são adaptação

Não avalie sua nova vida profissional com base na primeira semana.

A adaptação leva tempo.

Você está criando:

  • novos horários;
  • novos vínculos;
  • novas responsabilidades;
  • nova logística;
  • nova versão da sua rotina.

Algumas semanas serão ótimas.

Outras serão caóticas.

A criança ficará doente justamente no dia da apresentação importante.

A creche fechará.

Você dormirá mal.

Esquecerá alguma coisa.

Precisará remarcar.

Isso não significa que você não consegue conciliar maternidade e carreira.

Significa que você tem uma criança pequena.

Um plano simples para voltar ao mercado de trabalho

Se sua volta está próxima, eu organizaria dessa forma:

Duas semanas antes: comece a testar a logística, adapte a criança quando possível, organize transporte, rotina e amamentação caso seja sua escolha.

Uma semana antes: confirme horários, converse com a empresa, prepare roupas, bolsa e itens necessários.

Primeira semana: diminua expectativas e concentre-se em entender novamente a rotina profissional.

Primeiro mês: observe gargalos. O que está difícil? Manhã? Sono? Transporte? Alimentação? Divisão das tarefas?

Depois: ajuste.

Não tente construir a rotina definitiva antes de viver a nova realidade.

Você descobrirá o que precisa mudar enquanto estiver vivendo.

Como voltar ao mercado de trabalho após a licença-maternidade sem se perder no caminho?

Talvez a resposta seja aceitar que você não está voltando para o mesmo lugar.

Mesmo que seja a mesma empresa.

Mesma cadeira.

Mesmo cargo.

Mesmo computador.

Você mudou.

E essa nova fase precisa acomodar duas partes importantes da sua vida: sua maternidade e sua identidade profissional.

Uma não precisa eliminar a outra.

Existem desafios reais. O próprio IBGE destaca que responsabilidades de cuidado ainda pesam de forma desigual sobre as mulheres; no primeiro trimestre de 2025, a taxa de participação feminina na força de trabalho era de 52,7%, contra 72,3% entre os homens, e o instituto aponta o cuidado como um fator relevante para mulheres que permanecem fora do mercado.

Por isso, a solução não está simplesmente em mandar as mães “se organizarem melhor”.

Empresas precisam avançar.

Famílias precisam dividir responsabilidades.

Políticas de cuidado importam.

Rede de apoio importa.

E mulheres precisam ter espaço para construir uma carreira sem que isso seja tratado como incompatível com ser uma boa mãe.

Voltar ao mercado de trabalho após a licença-maternidade pode trazer medo.

Pode trazer culpa.

Pode trazer saudade.

Mas também pode trazer entusiasmo.

Autonomia.

Desenvolvimento.

Dinheiro.

Conquistas.

Novas oportunidades.

E aquela sensação gostosa de reencontrar uma parte de você que estava temporariamente em segundo plano.

Não espere voltar perfeita.

Volte aos poucos.

Organize a logística.

Conheça seus direitos.

Converse.

Divida responsabilidades.

Peça ajuda.

Proteja seu tempo.

E permita-se descobrir como será sua nova rotina.

Porque talvez o maior desafio não seja escolher entre ser mãe ou ter carreira.

Talvez seja construir uma vida em que você possa ser mãe, profissional, mulher e tudo aquilo que ainda deseja se tornar. 💜

Se você está vivendo justamente essa fase de reorganização entre maternidade e trabalho, também pode gostar de Um Dia Real na Rotina de uma Mãe, Esposa e CEO e Como Montar um Home Office Pequeno, Bonito e Produtivo Gastando Pouco.

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